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Brasília - A polêmica sobre
a produção de biocombustíveis e sua relação
com o aumento dos preços dos alimentos deve ser um dos
principais pontos de divergência da 5ª Cúpula de
Chefes de Estado da América Latina e Caribe - União
Européia. O encontro começa hoje (15) em Lima, no Peru. As informações são da BBC Brasil.
A previsão é
de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegue à
capital peruana à tarde, com o objetivo de tentar convencer os
chefes de Estado das regiões envolvidas de que o etanol à base
de cana-de-açúcar não é o responsável
pela recente crise de segurança alimentar que provocou
protestos em diferentes partes do mundo.
Alguns analistas,
entretanto, acreditam que a tarefa de Lula não será tão
simples. "O que entrará em debate não é
somente a origem do etanol brasileiro e sim o modelo de produção
de biocombustíveis como um todo e sua real ameaça à
produção de alimentos", afirma Ernesto Velit,
analista político da Universidade Ricardo Palma, em Lima. “Não
sei o que fará Lula para convencer seus colegas, mas
certamente enfrentará muita oposição",
acrescenta.
Do lado
latino-americano, as críticas à produção
de biocombustíveis têm origem, inclusive, em governos
com modelos opostos de desenvolvimento. O presidente do Peru, Alan
Garcia, e o presidente da Bolívia, Evo Morales – que
divergem sobre um tratado comercial com a União Européia
– concordam que a produção dos biocombustíveis
ameaça as áreas destinadas à produção
de alimentos.
Para o analista
político peruano Alejandro Deustua, ambos os chefes de Estado
devem reorientar suas críticas. Ele avalia que, ao se atribuir
a responsabilidade da inflação dos preços dos
alimentos à produção de etanol, ignora-se dois
aspectos "fundamentais” para ponderar a polêmica.
"É preciso
considerar a especulação no mercado de alimentos que
foram convertidos em commodities e não se pode
descartar que há interesses políticos em gerar uma
crise em torno do biocombustível", afirma Deustua. "Antes
de condenar, é preciso estudar e avaliar."
O presidente da
comissão organizadora da Cúpula, Ricardo Vega Llona,
admitiu ontem (14) que o tema alimentar "demandará mais
esforços para se ajustar a declaração final"
do encontro.
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