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15 de Maio de 2008 - 18h58 - Última modificação em 15 de Maio de 2008 - 18h58


Para CNA, alta nos preços de fertilizantes e defensivos justifica aumento nos financiamentos

Sabrina Craide
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - O aumento dos preços dos insumos agropecuários, especialmente de fertilizantes e defensivos, justifica a reivindicação do setor produtivo de aumentar de R$ 73 bilhões para R$ 110 bilhões o volume de recursos para o financiamento da safra. De acordo com Carlos Sperotto, presidente da Comissão Nacional de Crédito Rural da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), da safra passada para cá o preço desses insumos cresceu cerca de 150%.


“Hoje não existe agricultura sem fertilizante e defensivo. Esses produtos têm subido de uma forma anárquica”, diz. O aumento do crédito foi sugerido hoje (15) ao ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, para que seja incluído no Plano Agrícola Pecuário deste ano.

Os produtores também querem viabilizar a reintegração dos excluídos do crédito rural. Segundo Sperotto, por não terem condições de fornecer garantias suficientes, muitos produtores não estão tendo acesso ao crédito oficial e recorrem a créditos de fornecedores, que são mais caros. “Nossa posição é de reintegrar esses produtores no processo produtivo, tendo em vista as demandas mundiais que estão se estabelecendo”, explica.

Ele lembra que o Brasil tem uma das maiores áreas disponíveis para a produção de alimentos. Segundo Sperotto, dos 851 milhões de hectares que o Brasil tem, 55 milhões estão sendo utilizados para produzir 143 milhões de toneladas. “Ainda temos uma reserva de 71 milhões [de hectares] disponíveis sem mexer na Amazônia”, disse.

Sperotto disse que o setor produtivo precisa contar com uma política de governo que sustente a expansão da produção. Ele disse que o campo tem condições de dar respostas rápidas às necessidades de aumento de produção. “Nós aceitamos o convite de produzir com condições, mas o governo tem que gerar oportunidades para disponibilizar o crédito e diminuir a grandeza da área de endividamento”, disse.

Ele afirmou também que o setor produtivo está disposto a encarar a produção das demandas de alimentos que vierem. “O Brasil tem à disposição os elementos básicos para sinalizar o crescimento. Compete, portanto, ao governo, na análise que está fazendo da falta de alimentos do mundo, e o Brasil tem a resposta para tudo isso”.

Sperotto diz que Stephanes recebeu “com serenidade exemplar” as propostas apresentadas pela CNA. “O ministro comunga com a tese de que temos que aumentar a produção e produzir com economia”, disse. Segundo Sperotto, o ministro voltou a reforçar que as culturas de arroz, trigo, milho e feijão terão políticas especiais de incremento para frear a alta nos preços.

As propostas apresentadas pela CNA foram elaboradas em parceria com a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e após a realização de reuniões com representantes do setor de seis estados: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo e Paraná.

 


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