O aumento
dos preços dos insumos agropecuários, especialmente de
fertilizantes e defensivos, justifica a reivindicação
do setor produtivo de aumentar de R$ 73 bilhões para R$ 110
bilhões o volume de recursos para o financiamento da safra. De
acordo com Carlos Sperotto, presidente da Comissão Nacional de
Crédito Rural da Confederação da Agricultura e
Pecuária (CNA), da safra passada para cá o preço
desses insumos cresceu cerca de 150%.
“Hoje
não existe agricultura sem fertilizante e defensivo. Esses
produtos têm subido de uma forma anárquica”, diz. O
aumento do crédito foi sugerido hoje (15) ao ministro da
Agricultura, Reinhold Stephanes, para que seja incluído no
Plano Agrícola Pecuário deste ano.
Os
produtores também querem viabilizar a reintegração
dos excluídos do crédito rural. Segundo Sperotto, por
não terem condições de fornecer garantias
suficientes, muitos produtores não estão tendo acesso
ao crédito oficial e recorrem a créditos de
fornecedores, que são mais caros. “Nossa posição
é de reintegrar esses produtores no processo produtivo, tendo
em vista as demandas mundiais que estão se estabelecendo”,
explica.
Ele
lembra que o Brasil tem uma das maiores áreas disponíveis
para a produção de alimentos. Segundo Sperotto, dos 851
milhões de hectares que o Brasil tem, 55 milhões estão
sendo utilizados para produzir 143 milhões de toneladas.
“Ainda temos uma reserva de 71 milhões [de hectares] disponíveis
sem mexer na Amazônia”, disse.
Sperotto
disse que o setor produtivo precisa contar com uma política de
governo que sustente a expansão da produção. Ele
disse que o campo tem condições de dar respostas
rápidas às necessidades de aumento de produção.
“Nós aceitamos o convite de produzir com condições,
mas o governo tem que gerar oportunidades para disponibilizar o
crédito e diminuir a grandeza da área de
endividamento”, disse.
Ele
afirmou também que o setor produtivo está disposto a
encarar a produção das demandas de alimentos que
vierem. “O Brasil tem à disposição os
elementos básicos para sinalizar o crescimento. Compete,
portanto, ao governo, na análise que está fazendo da
falta de alimentos do mundo, e o Brasil tem a resposta para tudo
isso”.
Sperotto
diz que Stephanes recebeu “com serenidade exemplar” as propostas
apresentadas pela CNA. “O ministro comunga com a tese de que temos
que aumentar a produção e produzir com economia”,
disse. Segundo Sperotto, o ministro voltou a reforçar que as
culturas de arroz, trigo, milho e feijão terão políticas
especiais de incremento para frear a alta nos preços.
As propostas
apresentadas pela CNA foram elaboradas em parceria com a Organização
das Cooperativas Brasileiras (OCB) e após a realização
de reuniões com representantes do setor de seis estados: Mato
Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São
Paulo e Paraná.