O setor siderúrgico do Brasil está preparado para enfrentar o crescimento mais robusto da economia e responder ao aumento da demanda, disse hoje (15) vice-presidente executivo do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), Marco Pólo de Mello Lopes. Em entrevista coletiva, ele descartou o risco de escassez de aço no país nos próximos anos.
Dizendo-se otimista, ele assegurou que o setor se preparou para dar conta do aquecimento da economia. Lopes explicou que a capacidade instalada do setor siderúrgico atualmente é cerca de 60% superior à demanda no mercado interno. Desde 2007, ressaltou, a siderurgia nacional apresenta um ciclo de investimento expressivo que agregará mais 15 milhões de toneladas à capacidade instalada em até cinco anos.
“Independentemente da conjuntura, a siderurgia vem se preparando para continuar atendendo prioritariamente o mercado interno e manter saldos exportáveis bastante significativos”, declarou. .
Em relação aos preços, Marco Pólo lembrou que o setor siderúrgico enfrenta aumentos significativos de preços nas principais matérias-primas: o minério de ferro e o carvão. Ele, no entanto, negou o risco de pressão inflacionária mais forte porque o repasse desses aumentos vem sendo negociado com cada empresa.
Após o processo de privatização, os investimentos efetuados pelas usinas na modernização do parque produtivo alcançaram em torno de US$ 16 bilhões. Lopes afirmou que o novo ciclo de investimentos iniciado no ano passado tem por objetivo o aumento da capacidade do setor.
Segundo Lopes, grande parte dessa convicção resulta do aumento do consumo de setores intensivos em aço. No ano passado, de acordo com o IBS, os setores de bens-de-capital, construção civil e automotivo mostraram aumentos do consumo de aço de 28,7%, 19,5% e 14,4% respectivamente, em relação ao ano anterior.
O vice-presidente do IBS comentou que a Política de Desenvolvimento Produtivo, anunciada na segunda-feira (12) pelo governo federal, reforça esse otimismo: “A política industrial surpreendeu favoravelmente. Ele afirmou que o novo programa vai nessa direção ao estabelecer a desoneração tributária e estimular investimentos para expansão do setor produtivo.
Apesar de o programa não prever medidas específicas para a siderurgia, Lopes acredita que a siderurgia será beneficiada. Isso porque os principais setores consumidores da siderurgia fazem parte de um bloco que será contemplado diretamente na nova política de desenvolvimento produtivo. “Esses setores crescendo, é bom para a siderurgia”, definiu.
A encomenda de navios anunciada pela Petrobras, disse Lopes, também impulsionará o setor. De acordo com ele, a compra de 26 navios de grande porte para a subsidiária Transpetro e a construção de outros 146 barcos de apoio em estaleiros nacionais demandarão cerca de 400 mil toneladas de aço em quatro anos.