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Rio de Janeiro - Na última visita
aos estados – 19 ao todo – antes da apresentação e
votação do relatório final em junho, a Comissão
Parlamentar de Inquérito do Sistema Carcerário da
Câmara dos Deputados esteve no Rio de Janeiro. A precariedade
do sistema, com superlotação de celas, e a dependência de recursos da União foram
destacadas pelos parlamentares como dois dos principais problemas no
estado.
O presidente da CPI,
deputado Neucimar Fraga (PR-ES), acredita que os recursos financeiros
podem estar sendo mal investidos, uma vez que o estado tem uma
população carcerária considerada pequena em relação
ao total de habitantes.
"No Rio de janeiro
existem 27 mil detentos para 20 milhões de habitantes. Além
disso, o estado conta com uma receita de aproximadamente R$ 40
bilhões. Existem estados, como o Mato Grosso do Sul, com
arrecadação bem inferior, de cerca de R$ 6 bilhões,
e uma população carcerária que totaliza 12 mil
pessoas num universo de 2 milhões de habitantes. Se há
recursos e não dão resultados é porque podem não
estar sendo bem empregados", afirmou Fraga.
O deputado criticou o
gasto com as refeições servidas aos presos. Segundo
ele, cada quentinha custa aproximadamente R$ 5
aos cofres públicos enquanto o governo do estado oferece, por
meio de programas sociais, refeições a R$ 1, “e com
qualidade bastante superior às dos detentos”.
Os parlamentares da CPI
também constataram que em algumas unidades prisionais existem
cantinas, geralmente exploradas por agentes penitenciários,
que vendem produtos como arroz e macarrão a preços mais
altos do que os praticados nos mercados comuns.
O secretário de
Administração Penitenciária, Cesar Rubens
Monteiro, ouvido pela CPI, informou que do orçamento de R$
223 milhões da secretaria, aproximadamente 80% são
consumidos em alimentação.
Ele adiantou que o
governo prepara uma licitação para ainda este ano para
contratar uma nova empresa fornecedora de alimentação
para o sistema carcerário do estado.
Carvalho argumentou que
as refeições a R$ 1 oferecidas em restaurantes
populares só são possíveis porque se trata de um
programa subsidiado pelo governo estadual, que arca com os outros R$
6 ou R$ 7 da refeição.
Com relação
à superlotação das celas, o secretário
disse que a situação não é verificada em
todas as unidades, mas que o governo "está determinado"
a retomar a construção de pelo menos três casas
de custódia, interrompida na administração que o
antecedeu.
O Rio de Janeiro foi o
último estado visitado pela CPI, que fiscalizou 80 unidades
prisionais em 19 estados.
Em junho, segundo
informou o presidente da comissão, deputado Neucimar Fraga,
será votado o relatório final, com sugestões
como a padronização arquitetônica dos presídios,
o monitoramento eletrônico dos presos quando estiverem fora das
cadeias e a uniformização de normas e procedimentos nos
presídios.
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