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15 de Maio de 2008 - 21h34 - Última modificação em 15 de Maio de 2008 - 21h34


Travesti denuncia agressão em posto médico de Porto Alegre

Mariana Jungmann
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - Na antevéspera do Dia Nacional de Combate à Homofobia, a travesti Marcelly Malta denunciou hoje (15) que sofreu agressão no complexo hospitalar onde trabalha há 28 anos, em Porto Alegre.

Marcelly conta que se desentendeu com seguranças na saída do Posto de Atendimento Médico 3 (PAM 3) da rede municipal por causa de sua identificação. Na discussão, foi agredida e levada a uma sala vazia, onde foi chutada e esganada.

A funcionária diz que enfermeiras se recusaram a socorrê-la. “Eu pedia para elas ligarem para a minha chefe para que ela pudesse comprovar que eu trabalhava no outro PAM. Mas elas diziam 'vocês que são brancos que se entendam'”.

Ela conta ainda que depois de ser posta para fora do PAM 3, voltou ao posto onde trabalha e foi vista com esfoliações e marcas pelo corpo pelas coordenadoras e chefes. Mesmo assim, a coordenadora de enfermagem teria alegado que a versão das enfermeiras e seguranças era outra e não teria tomado providências.

“O que sinto mais não é a dor física e sim a dor psicológica. Minha auto-estima foi lá pra baixo”, declarou Marcelly.

Ela diz que registrou queixa na delegacia e compareceu ao Instituto Médico Legal para fazer exame de corpo de delito, que constatou luxação na faringe e em três costelas.

A Agência Brasil tentou entrar em contato com o Grupo Reação, empresa terceirizada contratada para fazer a segurança do posto médico, e com a Secretaria Municipal de Saúde, mas não conseguiu.

O Grupo Reação já foi condenado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por formação de cartel para ganhar licitações de empresas públicas no Rio Grande do Sul.

Marcelly é presidente do Conselho Municipal de Direitos Humanos e da organização não governamental (ONG) Igualdade – Associação de Travestis do Rio Grande do Sul. Segundo ela, manifestações de repúdio ao episódio estão sendo organizadas e a denúncia será levada ao Ministério Público.



 


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