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15 de Maio de 2008 - 15h29 -
Última modificação
em 15 de Maio de 2008 - 15h29
Marina diz que saída foi motivada por "estagnação" após cinco anos e meio no cargo
Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil
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Marcello Casal Jr./ABr
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Brasília - A ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, na Agência Nacional de Águas, durante entrevista sobre sua saída do ministério
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Brasília - Ao
justificar o pedido de demissão feito na última
terça-feira (12), a ex-ministra do Meio Ambiente e senadora
Marina Silva disse hoje (15) que deixou o governo porque o processo
que conduzia há cinco anos e meio chegou à “estagnação”
e precisa de um “novo acordo político” para ter
continuidade. Foi a primeira vez que Marina Silva falou publicamente
sobre a demissão.
“Ainda
não falei com o presidente Lula, só entreguei a carta.
Mas a carta diz tudo”, afirmou.
Marina
negou que a gota d´água para sua saída tenha sido
a entrega da coordenação do Plano Amazônia
Sustentável ao ministro extraordinário de Assuntos
Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, e não ao Ministério do Meio Ambiente; apesar de admitir que não foi avisada da decisão antes da
cerimônia de lançamento do programa.
"Não
posso dizer que o meu gesto é em função do
doutor Mangabeira. Não é uma questão de pessoa,
mas é que você vai vendo um processo e percebe quando
começa a ter estagnação.”
Marina
disse que “ficou feliz” com a declaração do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a política
ambiental não mudará e elogiou a escolha do novo
ministro da pasta, Carlos Minc, que, segundo ela, “qualifica o
processo” e poderá dar continuidade às conquistas de
sua gestão.
“É
melhor ter um filho vivo no colo de outro do que ter o filho jazindo
no seu próprio colo”, comparou. Ela disse que não
pode haver retrocessos na política ambiental e acredita que
Minc manterá “o filho” vivo e o fará crescer.
Questionada
sobre o que não pôde ou não teve espaço para
fazer no governo, Marina disse que sua saída não pode
ser considerada uma derrota e citou a trajetória eleitoral do
presidente Lula e a luta do ex-presidente da África do Sul,
Nelson Mandela, como exemplos de que “não é correto
falar em derrota sem considerar o tempo” e que só “com a história é que se descobre o que foi derrota e o que
foi vitória”.
A
ex-ministra disse que passou por “momentos difíceis” ao
longo de cinco anos e meio no governo, entre eles pressão pelo
licenciamento ambiental das obras das usinas hidrelétricas do
Rio Madeira (RO).
“Poderia
sair naquele momento como uma heroína, com a
versão de que saí porque passaram por cima da minha
opinião, do que eu defendia. Mas, em nenhum momento, o
presidente Lula disse que queria o licenciamento a qualquer custo,
mudando a legislação."
A
ex-ministra também citou embates com o então ministro
da Integração Nacional, Ciro Gomes, com quem teve
“discussões muito acaloradas” por mudanças no
projeto de transposição das águas do Rio São
Francisco. Marina afirmou que a redução de 146 para 26
metros cúbicos por segundo da vazão de água que
será desviada do rio pode ser considerada uma grande vitória.
Marina Silva disse que não tem intenção de se candidatar ao governo do Acre e afirmou que deve voltar ao Senado Federal daqui a duas semanas. Questionada se sua atuação do Congresso será mais parecida com a de Ideli Salvalti (PT-SC) ou a de Eduardo Suplicy (PT-SP), respondeu que "vai ser mais para Marina Silva".
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