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Brasília - Ao comentar o
cancelamento de rotas áreas em cidades médias por
empresas de grande porte como os confirmados, nesta semana, pela Gol
e pela OceanAir, o presidente da Associação Brasileira
de Empresas de Transportes Aéreos Regionais (Abetar), Apostole
Lázaro, apontou a Agência Nacional de Aviação
Civil (Anac) como responsável por permitir a concorrência
predatória entre as companhias e de não punir as
empresas cujas decisões administrativas ferem os interesses
dos usuários.
Segundo ele, cancelamentos
como os da Gol e da OceanAir que, no mês que vem, deixam de
operar em São José dos Campos (SP), não são
mais nenhuma novidade. “Já estamos alertando as autoridades
aeronáuticas brasileiras, principalmente as responsáveis
pela regulação do mercado, que isso vem ocorrendo com
uma freqüência que prejudica os usuários”, disse.
Pelas contas da Abetar, o Brasil,
que, entre a década de 1950 e 1960 totalizava cerca de 400
municípios atendidos por aviões, hoje tem apenas 150
cidades recebendo vôos comerciais.
Segundo Lázaro, é
comum que grandes companhias nacionais ignorem a presença de
uma empresa regional ou mesmo de outra nacional ao pedir à
Agência Nacional de Aviação Civil (Anac)
autorização para operar em municípios de baixa e
média densidade populacional. São localidades que, em
geral, comportam uma única empresa. “Todo mundo conhece os
números de demanda de usuários, mas a nova companhia
chega oferecendo três vezes mais assentos que a demanda”,
queixou-se.
Lázaro afirma que, após
obterem a concessão para explorar um serviço público,
as grandes empresas fazem uma experiência de mercado, por um
período de tempo normalmente curto. “As pequenas empresas
não agüentam a concorrência e deixam o local. O
problema é que, logo em seguida, a grande empresa também
sai. E a localidade que vinha sendo atendida de forma competente por
uma empresa regional se vê sem nenhuma opção de
vôo. Quem tem que regular isso é a Anac, que fecha os
olhos, indo na contramão dos interesses dos usuários”,
acusou.
Assim como o ex-presidente da
Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária
(Infraero), brigadeiro Adyr da Silva, para quem o setor está
“desregulamentado”, Lázaro diz ser favorável à
liberdade de operação e à livre concorrência,
mas reivindica que, para isso, é necessário um marco
regulatório que estabeleça de forma clara os direitos e
as obrigações das empresas e que a Anac cumpra o papel
de regular o setor.
“A legislação não
regula. A Anac foi criada para fiscalizar e regular e não
regula. Essa é nossa grande discussão com a agência.
Sempre que há uma flexibilização de mercado
desacompanhada de uma regulação, os prejudicados são
os usuários”, diz Lázaro, explicando não
defender a reserva de mercado.
A Anac se defende das acusações
alegando que, pela atual legislação, as companhias
concessionárias de rotas domésticas são livres
para definir os locais que irão atender e os preços de
suas passagens. Lázaro questiona a afirmação.
“Como a agência diz estar limitada por lei? O Estado concede
à Anac o poder de fiscalizar e regular o setor. Então,
como há uma limitação legal? Eu não sou
advogado, mas há consultores jurídicos que questionam
isso”, disse.
Lázaro reconhece que é
difícil evitar que as cidades se tornem reféns dos
interesses econômicos das empresas e que isso só se
reverte com a regulação do setor. Ao citar o caso de
São José dos Campos, que ficou sem vôos civis a
partir de agora, o presidente da Abetar disse que “o órgão
regulador, a Anac, deve se posicionar a esse respeito. Ela tem
explicações a dar aos usuários”, concluiu.
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