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Brasília - O Fórum
Nacional pela Democratização da Comunicação
(FNDC) está reunido, desde a manhã de hoje (16), com o objetivo de debater políticas
públicas para a comunicação social no Brasil. A
14ª plenária representa uma preparação para
uma possível conferência nacional de comunicação,
ainda sem data prevista para acontecer.
Para o
coordenador geral do FNDC, Celso Schröder, um encontro nacional
é “fundamental” para propor a convergência de
tecnologias de comunicação, além do
compartilhamento de infra-estrutura para comunicação e
da democratização dos conteúdos veiculados pelas
mídias.
“Será uma
reorganização do sistema brasileiro a partir de uma
lógica que, até então, esteve ausente do
interesse público. Infelizmente, a legislação
brasileira está pautada quase que exclusivamente por
interesses privados.”
Dentre os
desafios a serem enfrentados pelo país no âmbito das
comunicações, Schröder destaca o acesso do
cidadão, bem como a sua capacidade econômica e a
possibilidade cultural de compreender os mecanismos propostos pelas
mídias.
“Isso é
possível. A tecnologia permite isso. Basta que constituamos, a
partir do estado e de um acordo social, regulações que
compartilhem as atividades [tecnologia, infra-estrutura e
conteúdos] sem canibalizar ou sem inviabilizar um setor,
como no caso das telecomunicações e da rádiodifusão.
É como construir uma nova situação onde, apesar dos
interesses comerciais, o que se constitui como vetor importante é
o interesse público.”
Diante
das acusações da deputada Luiza Erundina (PSB-SP) –
presente no evento – de que o Congresso Nacional está
“ausente” no debate sobre políticas públicas de
comunicação, Schröder alertou para o fato de que a maioria dos
parlamentares brasileiros possui “interesse comercial” na
rádiodifusão.
“Isso
cria uma distorção e uma promiscuidade, que são
inaceitáveis do ponto de vista da democracia. Precisamos
trazer para esse ambiente a vontade popular e o debate público.
Hoje, os próprios radiodifusores e as próprias empresas
de telecomunicação percebem que não é
possível mais realizar os debates e constituir os consensos e
acordos simplesmente dentro do parlamento”, disse Schröder.
Para o
secretário de telecomunicações do Ministério
das Comunicações, Roberto Pinto Martins, a proposta do
fórum de convergir a comunicação no país
modifica, inclusive, o papel de quem utiliza as mídias.
“Cada
usuário dos sistemas de telecomunicação também
passa a ser um contribuinte ou um produtor de conteúdo. Temos
desafios tecnológicos, naturalmente supridos pelas indústrias
de tecnologia das comunicações. Não se deve
fazer qualquer restrição ao uso ou ao potencial que a
tecnologia pode nos oferecer”, disse Martins.
A 14ª
plenária do FNDC segue até amanhã (17) e deve
discutir ainda princípios de soberania, liberdade de
expressão, regionalização, inclusão
social, diversidade, convergência, reestruturação
do mercado, controle público e conteúdo.
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