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Brasília - A decisão de
cancelar vôos em cidades onde a demanda é tão
baixa que não justifica manter-se operando, tomada pela
OceanAir e pela Gol, abriu o debate sobre o que a aviação
civil deve fazer para atender cidades médias, que não
têm o mesmo movimento de uma grande capital.
Segundo
o ex-presidente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura
Aeroportuária (Infraero), brigadeiro Adyr da Silva, por
exemplo esse parece ser o dilema suscitado a cada vez que uma grande
companhia aérea decide cancelar suas operações
em localidades onde o número de usuários é
insuficiente para cobrir seus custos operacionais.
“Se
você não deixar um jato de 150, 180 lugares operar, vão
ficar uma aeronave de menor porte e os passageiros desassistidos. Por
outro lado, se você deixa o `jatão´ operar,
você prejudica uma empresa de pequeno porte. É uma coisa
difícil [de equacionar]”, afirmou Silva.
A
OceanAir e a Gol divulgaram, nesta semana, que não vão
mais operar
em São José dos Campos (SP), cidade que ficou sem opção
de vôos nacionais. A decisão da OceanAir afeta outras 11
cidades.
O que se coloca
diante de situações como essa é questionar o que
é melhor para uma cidade: contar com uma companhia aérea
nacional durante certa época do ano para atender o crescimento
sazonal da demanda por vôos, mesmo que isso inviabilize a
atuação de empresas regionais, ou correr o risco
destas, sozinhas, não atenderem a todos os usuários
durante os períodos de maior procura.
O presidente da Associação
Brasileira de Empresas de Transportes Aéreos Regionais
(Abetar), Apostole Lazaro, discorda do ex-presidente da Infraero.
“Queremos a concorrência, que é salutar para as
empresas. Mas se uma companhia recebe uma concessão para
operar e prejudica uma outra companhia que se vê obrigada a
deixar o local, a empresa, no mínimo, deveria ter que operar
por um período de, digamos, 18 meses”, opinou.
Para Adyr da Silva, não há
como exigir que uma companhia privada, ainda que concessionária
de um serviço público, assuma operações
que não sejam financeiramente lucrativas. “As empresas de
transporte aéreo têm responsabilidades para com seus
acionistas, com os custos e as receitas”, disse.
“Muitas vezes, elas investem
esperando que a demanda potencial se concretize e, às vezes,
trabalham uma nova rota por dois, três, até seis meses,
e não dá em nada. Daí elas se retiram. Isso faz
parte da rotina do mercado”. Ele ressaltou que, o que ocorre é
que as empresas “vão atrás dos passageiros. Com o
desenvolvimento da atividade econômica, haverá uma
repercussão no transporte aéreo e, conseqüentemente,
teremos um maior número de cidades cuja viabilidade econômica
permitirá o reflorescimento da aviação regional,
que tem um potencial extraordinário”, observou.
Silva, no entanto, cita a região
amazônica como exemplo de lugar onde o governo tem de atuar
para encontrar formas de estimular a aviação comercial.
“No caso da Amazônia, quem apresentar uma boa idéia
vai ganhar um dinheirão, pois esse problema é sério
e já vem desde que a aviação civil começou
a se organizar sob a forma que funciona hoje. Nem subsídio
conseguiu evitar que empresas pequenas desaparecessem e que outras
continuem operando com enormes dificuldades”. lembrou.
Embora diga ser favorável à
formulação de políticas públicas para
estimular a aviação regional, o ex-presidente da
Infraero é contrário à concessão de
subsídios por parte do governo a empresas regionais. “Isso é
coisa do passado. Temos de encontrar maneiras inteligentes de
estimular a demanda e a participação das prefeituras.
Encontrar uma forma de harmonizar os interesses das empresas
regionais com as nacionais. Há um trabalho grande a ser feito
e isso depende muito de resolvermos os grandes problemas da crise
aérea, que ainda estão por aí. Embora os efeitos
adversos estejam dominados, as causas continuam e vamos levar muitos
e muitos anos para eliminá-las”, concluiu.
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