|
Brasília - A aproximação
com o continente africano – defendida pelo presidente Luiz Inácio
Lula da Silva desde seu discurso de posse no primeiro mandato, em
2003 – foi reafirmada na Política de Desenvolvimento
Produtivo lançada esta semana pelo Executivo. A intenção
é criar, ainda este ano, um grupo de trabalho para definir
metas de comércio, investimento e cooperação
birregional.
Mesmo sem detalhar
ações, o governo federal deixa claro que está
disposto a criar mecanismos que impulsionem ainda mais o fluxo de
comércio entre as duas regiões e incentivem
investimentos privados brasileiros na África.
De 2002 para 2007, o
intercâmbio comercial entre o Brasil e os países
africanos saltou de US$ 5 bilhões para US$ 19,9 bilhões
– o que representa um terço das trocas comerciais da África
com a China. O estoque de investimentos brasileiros naquele
continente de 2003 a 2006 foi de apenas US$ 535 milhões.
Na nova política
industrial, o governo brasileiro se propõe a criar e
fortalecer linhas de financiamento voltadas ao desenvolvimento do
comércio Brasil-África e explorar o potencial de
exportação de bens de consumo de baixo valor agregado,
como têxteis e confecções e produtos
alimentícios.
Ainda visando a
intensificação do comércio, o Brasil se
compromete a fortalecer as negociações do Mercosul com
o Egito, o Marrocos e outras sub-regiões do continente
africano.
Na área de
incentivo a investimentos, o governo federal pretende criar
mecanismos de créditos e garantias favoráveis a
investimentos de empresas brasileiras na África e promover a
participação de empresas africanas em projetos de
investimentos brasileiros naquela região.
Outro foco de atuação
do governo brasileiro será a intensificação da
Força-Tarefa sobre Biocombustíveis, criada pela
Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC),
cujo objetivo é criar uma plataforma de apoio à
produção sustentável de biocombustíveis –
a estratégia reforça o discurso reiterado do presidente
Lula em defesa da produção de etanol e biodiesel como
alternativa de desenvolvimento para os países africanos.
A intensificação das iniciativas de cooperação
técnica com a África é outro desafio previsto
na Política de Desenvolvimento Produtivo. Para isso, o governo brasileiro
pretende promover o desenvolvimento de projetos da Empresa Brasileira
de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Fundação
Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com instituições
africanas e transferir tecnologia institucional para o
desenvolvimento de competências técnicas e de negócios
das empresas africanas.
|