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Brasília - O envolvimento de
autoridades em casos de exploração sexual de
adolescentes vem contribuindo para a impunidade dos crimes, na
avaliação de Carmem Oliveira , subsecretária da
Criança e do Adolescente, da Secretaria Especial de Direitos
Humanos (SEDH) da Presidência da República.
Segundo ela,
normalmente há autoridades locais que promovem festas e
freqüentam casas noturnas onde há exploração
sexual de menores, e isso “inibe um pouco” a atuação
do Poder Judiciário.
“Há um crime
organizado em torno desse tema e nós temos, na maioria dos
casos, o envolvimento de autoridades locais, o que constrange o
sistema de Justiça a fazer a devida intervenção
no caso”, afirmou.
De acordo com a
subsecretária, um acompanhamento feito pela SEDH de 45 dos 80
casos emblemáticos levantados pela Comissão Parlamentar
Mista de Inquérito que investigou em 2003 e 2004 as redes de
exploração sexual no país, mostra que até
hoje dos 158 acusados só 22 foram condenados, 37 foram
absolvidos, 107 sequer foram julgados e apenas 10 vítimas
foram acompanhadas.
“Isso hoje é
um Calcanhar de Aquiles, porque não adianta de nada ter
população mobilizada para a denúncia, redes que
fazem chegar ao sistema de Justiça esses fatos se essa
penalização não acontecer”, apontou.
Ela destacou que as
denúncias de exploração sexual vêm
crescendo mais do que os registros de abuso sexual. Nos primeiros
quatro meses do ano o Disque 100 recebeu informações de
2.158 casos, cerca de 80% do total de registros contabilizados em
todo o ano de 2006, que chegaram 2.597. No entanto, a certeza de que
as denúncias possam gerar a punição de
agressores exige uma mudança cultural entre os membros do
Poder Judiciário.
“Hoje não
temos a plena convicção de uma vez feita a denúncia
se vá chegar a responsabilização. Esse passo
ainda está por ser dado e vai depender de uma mudança
cultural dos operadores de direito”, disse.
Para Carmem Oliveira, a
impunidade dos crimes envolvendo a violência sexual de crianças
e adolescentes não é causada por falhas na legislação,
já que os casos já estão previstos no Código
Penal e também no Estatuto da Criança e do Adolescente
(ECA), mas o que falta é o cumprimento da lei.
Nos casos de abuso
sexual, que ocorrem normalmente com crianças menores e dentro
das relações familiares, ela acredita que a impunidade
também está presente, mas por motivos diferentes.
Segundo Carmem, esse tipo de violência é muito pouco
visível, já que a proximidade com o agressor, as
relações afetivas envolvidas e a dificuldade das outras
pessoas da família de reconhecerem a violência acaba
dificultando as denúncias e perpetuando a ação
dos agressores.
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