Eventos culturais no Parque Garota de Ipanema, no Rio de Janeiro, e distribuição de material de divulgação do Disque 100 – serviço telefônico que permite a qualquer pessoa fazer denúncias anônimas de maus-tratos contra a infância e a juventude – nas praias do Rio marcam o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, celebrado hoje (18).

A data foi escolhida para lembrar que em 18 de maio de 1973, em Vitória, a menina Araceli Cabrera Sanches foi seqüestrada, violentada sexualmente e assassinada aos oito anos, um crime que permanece impune e virou símbolo de luta pelos direitos de crianças e adolescentes.

As ações são organizadas pela Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH) da Presidência da República e pelo Ministério do Turismo.

O Ministério do Turismo também prepara a expansão de um programa para enfrentar a exploração sexual de crianças e adolescentes em cidades que são destino turístico nacional e internacional. Hoje apenas em Fortaleza o programa Turismo Sustentável e Infância trabalha com a capacitação de jovens para trabalharem na cadeia do turismo (hotéis, bates e restaurantes).

Segundo a coordenadora do programa, Elizabeth Bahia, a proposta é estendê-lo a todas as cidades do Brasil que tenham potencial turístico, já que “não existe uma pesquisa que aponte os índices de turismo sexual”.

“Fortaleza foi escolhida aleatoriamente, não porque tem mais ou menos casas de exploração sexual. A proposta é que ainda este ano comecemos na baixada santista, em Recife e Salvador. Também estamos analisando convênio com o Mato Grosso. Não são só nas cidades litorâneas, tem em Goiás também e vários locais que estão pedindo esse tipo de trabalho”, disse.

O projeto piloto envolve cerca de 360 jovens, que aprendem o serviço de camareiras, garçons, recepcionistas, promotores de eventos e auxiliares de cozinha por meio de um convênio entre o ministério e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac).

“Temos um termo com os hoteleiros e com os bares e restaurantes, que assim que eles forem necessitando dessa mão-de-obra, eles vão chamando”, informou Elizabeth Bahia.

O trabalho, segundo a coordenadora, é completado com outros programas. “Temos programas de sensibilização da cadeia produtiva do turismo para não aceitarem esse tipo de exploração e denunciem no Disque 100”.

Cerca de 120 jovens já estão na última etapa do processo de qualificação, atuando na prática em bares, restaurantes e hotéis. Aulas de ética e cidadania fazem parte do processo.