|
Rio de Janeiro - O secretário do
Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Minc, convidado para assumir o
Ministério do Meio Ambiente, defendeu hoje (18) a participação
do ministério na elaboração de estratégias
governamentais voltadas para o saneamento básico.
“Eu não estou
querendo com estas declarações manifestar desejo de
trazer para o Ministério do Meio Ambiente os vultosos
recursos que estão nos ministérios da Integração
ou das Cidades. Há interesses e acordos dos mais variados. Eu
tenho vários defeitos, mas seguramente um deles não é
o de ser ingênuo. Mas eu acho que o Meio Ambiente deve
participar, sim, de uma estratégia de saneamento ambiental”,
afirmou.
De acordo com Minc, a
principal causa da mortalidade infantil no país está
relacionada à contaminação da água
utilizada pela população, principalmente em decorrência
das péssimas condições dos rios e das lagoas e
da precária situação do esgotamento sanitário.
Minc adiantou que vai
levar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um plano decenal
para amenizar a gravidade do quadro do saneamento básico no
país.
“Hoje apenas 35% da
população têm acesso à coleta e tratamento
de esgoto. Eu vou propor ao presidente um plano decenal para que este
índice salte para 75% em dez anos. É por isto que eu
acho que o meio ambiente deve participar desta estratégia,
ainda que ela seja executada pelos outros ministérios”,
disse.
Ele também
defendeu a participação do Ministério do Meio
Ambiente na elaboração da política industrial,
como já acontece atualmente em sua gestão no Rio de
Janeiro. Ele disse que para a tarefa conta com o apoio do Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
“O BNDES tem que ter
uma política de estimulo às tecnologias limpas, menos
predatórias, menos impactantes. Dar condições de
crédito, tempo para pagamento e condições gerais
de empréstimos mais favoráveis àquelas
tecnologias que comprovadamente tenham um impacto menor na saúde
do trabalhador”, defendeu, acrescentando, “quando eu digo que o
Meio Ambiente deve participar das políticas tecnológica
e industrial do governo, a intenção é exatamente
direcionar as ações de modo a evitar os impactos ao
ecossistema”.
Minc disse que ficou
honrado com o convite do presidente, e ressaltou ser indelicado de
sua parte impor condições para assumir um cargo que
deixa honrado não só quem o recebe, mas também
qualquer brasileiro.
“Ao me convidar, o
presidente mostrou confiança em meu trabalho, carinho e uma
expectativa muito grande também”, disse.
|