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Brasília - Embora o aumento das
denúncias sobre violência sexual contra crianças
e adolescentes no país seja um avanço no enfrentamento
no problema, ainda não existe um monitoramento capaz de apurar
em que medida as vítimas estão sendo atendidas e os
agressores responsabilizados.
A informação é
de Carmem Oliveira, subsecretária da Criança e do
Adolescente, da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH), da
Presidência da República.
O órgão é
responsável pela operação do Disque 100, o
tele-denúncias nacional que recebe informações
sobre casos de violação de direitos de crianças
e adolescentes, como situações de negligência, de
violência física e psicológica e de abuso e
exploração sexual.
De 2005 para 2006 o
número de registros de violência sexual triplicou,
passando de 2.250 para 6.580. Em 2007, o número, que já
havia crescido, duplicou, somando cerca de 12,5 mil denúncias.
Nos quatro primeiros meses de 2008, o serviço já
contabiliza cerca de 5,3 mil registros, o que indica, na avaliação
da subsecretária, que o número de denúncias deva
chegar a 15 mil no ano.
Segundo Carmem
Oliveira, depois de recebida, a denúncia é repassada em
até 24 horas para órgãos locais responsáveis,
como os Conselhos Tutelares e serviços de assistência
social, médica e psicológica, nos casos de abuso na
própria família. Em determinadas situações,
principalmente as que envolvem exploração sexual de
adolescentes, também podem ser acionadas as polícias
Militar, Federal e Rodoviária Federal.
Uma equipe de
profissionais da SEDH é responsável pelo atendimento
das denúncias, outra pelo contato com os órgãos
que compõem as redes locais de atendimento à criança
e ao adolescente, mas não há ainda um acompanhamento
sobre o desenrolar dos casos.
“Nós
encaminhamos, fazemos a nossa parte, mas o que aconteceu quando a
denúncia chegou na ponta: a criança foi protegida? O
agressor foi responsabilizado? No momento não temos esse
monitoramento. Então estamos implantando essa fase, que é
fundamental, porque hoje o grande problema que temos com a violência
sexual de crianças e adolescentes é o alto grau de
impunidade, seja quando acontece no ambiente doméstico ou
quando se trata da exploração sexual nas ruas, bares,
estradas ou praias”, afirmou.
Segundo Carmem, uma
equipe de profissionais já está sendo treinada para dar
início ao trabalho de monitoramento, para acompanhar o fluxo
seguido pelas denúncias, mas ainda não há data
prevista para que o serviço comece a funcionar.
Ela destacou ainda que
hoje não é possível chegar a um número de
crianças e adolescentes vítimas de abuso e exploração
sexual no país, porque não há uma unificação
dos dados.
De acordo com ela, os
cerca de 12,5 mil registros nacionais não incluem denúncias
feitas por meio de serviços telefônicos estaduais e
operados por organizações não-governamentais.
Além disso, casos de violência sexual chegam por
diversos serviços e iniciativas implantados no país.
Entre as fontes de
identificação de abusos e exploração de
crianças, Carmem citou os Conselhos Tutelares, as escolas, os
serviços de saúde e operadores de turismo.
Segundo Carmem,
professores vêm sendo capacitados para identificar e notificar
problemas de violação de direito da criança e
adolescente, a partir do rendimento escolar e do comportamento dos
alunos, por meio do programa Escola que Protege, desenvolvido pelo
Ministério da Educação desde 2005, em parceria
com universidades públicas.
Equipes do Programa de
Saúde da Família também estão mobilizadas
para fazer a notificação de situações de
abuso, já que têm contato mais direto com as famílias.
Ações de
conscientização Ministério do Turismo são
desenvolvidas junto a estabelecimentos como hotéis, agências
de turismo e trabalhadores ligados ao setor, como os taxistas.
Embora reconheça
que a dispersão e capilarização das ações
dificulte o acompanhamento dos dados, Carmem apontou que a
intersetorialidade da rede de proteção que vem sendo
montada é um dos diferenciais da proposta brasileira para
enfrentamento do problema, reconhecida internacionalmente, e um dos
motivos da escolha do país para sediar em esse ano o 3º
Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração Sexual
de Crianças e Adolescentes.
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