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Brasília - A impunidade continua
sendo a maior dificuldade para combater a violência sexual
contra crianças e adolescentes no Brasil, segundo Alison
Sutton, coordenadora de Proteção à Infância
e à Adolescência do Fundo das Nações
Unidas para a Infância (Unicef).
De acordo com Alison, o
grande número de casos de abuso e exploração
sexual de crianças já denunciados por meio de comissões
parlamentares de inquérito (CPIs) nos últimos anos, e
até hoje sem resolução, mostram falhas na
atuação policial ou do Poder Judiciário.
“Isso [os casos
sem resolução] indica que há alguns
problemas no tratamento desse tipo de questão, ou na
investigação pela polícia ou no seu exame pelo
Judiciário, que não está funcionando. Então
essa é uma área em que se precisa investir mais”,
disse.
Entre outros aspectos
que precisam melhorar, ela cita os sistemas de vigilância e a
coleta de dados para subsidiar uma política mais integrada,
que atue desde a prevenção dos crimes até a
responsabilização dos agressores.
Alison aponta ainda que
as questões envolvendo a criança precisam ser
priorizadas pela Justiça. “Quando se trata de uma violação
contra uma criança, de qualquer tipo, mas especificamente de
violência sexual, precisamos tratar isso com absoluta
prioridade não só na resolução do caso e
responsabilização, mas também na sensibilidade
do trato com a criança e da defesa dos seus direitos nesses
casos extremos”, defende.
Segundo ela, o Brasil
já tem exemplos, como no Rio Grande do Sul, onde vem sendo
adotada uma sistemática de depoimentos sem danos. Delegacias
especializadas em crimes contra crianças e adolescentes contam
com equipes multidisciplinares para tratar as vítimas
adequadamente durante as investigações, levando em
consideração que são seres em desenvolvimento e
por isso precisam ser tratados de forma cuidadosa. Para ela, a
prática precisa ser ampliada e adotada em todos os estados.
Apesar de considerar
grave a situação de violência sexual contra
crianças e adolescentes no Brasil, a representante do Unicef
elogia a disposição brasileira de dar visibilidade ao
problema e as tentativas de enfrentá-lo.
“É uma questão
muito séria. Temos, através dos conselhos tutelares dos
municípios e através do disque-denúncia,
evidências da ocorrência continuada de violência
sexual contra crianças no âmbito da família e em
relação a exploração sexual na sociedade,
na rua, nos bares e estradas. Ao mesmo tempo é animador saber
da mobilização no Brasil, da sociedade civil e do
governo, para enfrentar esse problema e isso vê através
do esforço de criar redes de proteção ao nível
local e também de ter sistemas para a prevenção
e resposta a esse fenômeno quando se trata de movimentação
de pessoas entre municípios”.
Para Alison, as
discussões amplas sobre o assunto e a criação de
sistemas locais de proteção à criança e
ao adolescente vêm aumentando as denúncias de abuso e
exploração sexual e também as chances das
vítimas serem atendidas.
Segundo ela, o Brasil
vem exercendo liderança mundial nas questões de
direitos humanos pela vontade política de enfrentar suas
violações, e foi um dos primeiros países a ter
uma legislação de proteção à
criança e ao adolescente, com a criação, há
18 anos, do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
De acordo com a
representante do Unicef, essas característica foram
responsáveis pela a escolha do Brasil para a sediar o 3º
Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração Sexual
de Crianças e Adolescentes, que será lançado
nessa segunda-feira (19), no Rio de Janeiro, e realizado na capital
fluminense de 25 a 28 de novembro.
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