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Rio de Janeiro - O secretário do
Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Minc, afirmou hoje (18), ter sido
mal interpretado nas colocações ao presidente Luiz
Inácio Lula da Silva para assumir o cargo de ministro do Meio
Ambiente, em substituição à senadora Marina
Silva.
Ao desembarcar no
Aeroporto Internacional do Galeão-Tom Jobim, vindo de Paris,
Minc afirmou que “arrogância seria imaginar que ele pudesse
enfrentar os problemas ambientais do Brasil, que são 100 vezes
mais complicados que os do Rio de Janeiro, sem ter o mínimo de
condições de trabalho”.
O secretário
disse que levará amanhã (19) ao presidente Lula
propostas e não exigências para aceitar o convite e
assumir a pasta do Meio Ambiente.
“Eu não vou
impor condições, mas sim levar propostas, que na
verdade são muito mais ainda do que aquelas que foram
colocadas até agora. Eu acho que arrogância seria
imaginar que eu pudesse desempenhar uma missão para a qual eu
tenho realmente dúvida de estar a altura, sem ter condições
de trabalho”, afirmou.
Carlos Minc admitiu que
as conversas que manteve até agora com o presidente Lula o
levam a crer que ele vá realmente assumir o ministério.
Ressaltou, porém, que as condições necessárias
para que possa vir a desempenhar um bom trabalho são ainda
maiores dos que a que já foram até então
divulgadas pela imprensa.
Minc citou como exemplo
a própria situação do estado do Rio, onde chegou
a recusar por três vezes o pedido do governador Sérgio
Cabral antes que decidisse assumir a Secretaria do Ambiente, e só
o fez, segundo ele, após ter recebido garantias de que teria
condições adequadas de implantar a sua filosofia de
trabalho.
“O Sérgio
[Sérgio Carbral, governador do Rio]
me deu realmente todas as condições de trabalho. Eu
preparei dez decretos - desde o que determinava que todas as
habitações construídas tivessem energia solar
até 'guardas-parque' [bombeiros para tomar conta das
unidades de conservação] e ele assinou todas as
dez”, lembrou.
“Eu tive os recursos
do Fecan [Fundo Estadual de Conservação Ambiental e
Desenvolvimento Urbano], as leis na Assembléia, apoio
político, apoio administrativo. Não tinha uma reunião
com o presidente do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social] ou da Petrobras que eu não fosse
também. Eu participava, por exemplo, das reuniões do
Conselho Econômico do governo, que juntavam os seis secretários
que discutiam a estratégia econômica. Então, o
meio ambiente estava bem na fita, estava musculado. E isto
possibilitou que eu pudesse conceder mais rapidamente os
licenciamentos ambientais”.
Carlos Minc elogiou a
ex-ministra Marina Silva e o ex-governador do Acre Jorge Viana, que,
segundo ele, está “mais preparado para a missão”.
Minc adiantou que, se assumir o cargo, vai levar para Brasília parte da sua
equipe atual da Secretaria do Ambiente. “Só não
poderei assumir o cargo se o presidente fizer exigências as
quais eu não possa cumprir, o que me parece não ser o
caso”.
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