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Brasília - A coordenadora da
Comissão Intersetorial de Enfrentamento da Violência
Sexual Contra Crianças e Adolescentes, que reúne órgãos
do poder público e entidades da sociedade civil, Neide
Castanha, disse que apesar dos poderes públicos ainda não
terem estrutura capaz de atender e proteger as crianças e
adolescentes vítimas de violência sexual, é
preciso continuar incentivando as denúncias. Segundo ela, a
provocação e o conhecimento da demanda é que vão
permitir pressionar por políticas públicas eficazes.
“Não temos um
sistema armado protetivo ainda, não temos um sistema de
Justiça que atenda a criança numa visão de
proteção, ela ainda é revitimizada e é
simplesmente fonte de informação e não um
sujeito de direito de proteção”, criticou.
Segundo Neide Castanha,
quando a criança chega à área de atendimento
para vencer traumas e resgatar sua dignidade, não encontra
serviços especializados e profissionais preparados para lidar
com essa problemática.
Neide acredita, no
entanto, em perspectivas positivas. “Há uma manifestação
de vontade de trilhar um caminho mais promissor. As denúncias
tem empurrado para tomadas de decisão. Temos boas experiências
no Brasil”, disse.
Como exemplos dos
avanços, ela citou o aparelhamento de mais de mil municípios
na área de assistência social para começar a
atender as vítimas, a existência de secretarias de
Direitos Humanos em 16 estados, que desenvolvem ações
articuladas com vários setores do poder público e da
sociedade civil e a realização de três comissões
parlamentares de inquérito nos últimos três anos
para investigar crimes de violência sexual contra crianças
e adolescentes.
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