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Brasília - O efeito dos subsídios
agrícolas norte-americanos na alta dos preços dos alimentos é
muito pequeno. A afirmação foi feita hoje (19) pelo subsecretário
de Programas Agrícolas e Assuntos Internacionais do
Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, Mark Keenum, que está
no país para a 3ª Reunião do Comitê
Consultivo Agrícola Brasil – Estados Unidos.
Keenum afirmou que são
vários os problemas que interferem na alta dos alimentos, como
a “oferta fraca” e a “demanda forte”, além dos efeitos climáticos,
que geraram redução na produção de trigo
e arroz, por exemplo. Mas ressaltou que seu país vem batendo
recordes em produção, destinada tanto para o abastecimento alimentício como para a produção de combustível.
Citando como exemplo o
milho, considerado um dos grandes vilões ao marketing dos
biocombustíveis, ele disse que os EUA produziram, no ano
passado, mais de 13 bilhões de sacas do produto, um recorde
histórico. Segundo ele, mesmo subtraindo-se o volume utilizado
para a fabricação de etanol, a produção
ainda é muito superior à demanda interna. O subsecretário
norte-americano disse já ter visitado usinas de cana-de-açúcar,
refinarias de etanol e lavouras de soja desde que chegou ao Brasil e afirmou que os dois países são os maiores exportadores de
alimentos.
O secretário de
Relações Internacionais do Agronegócio, Célio
Porto, do Ministério da Agricultura, disse que, na reunião do comitê, o governo
brasileiro marcou sua posição contrária às
barreiras ao comércio. “Se não houvesse
barreiras aos biocombustíveis, vários países
estariam produzindo e fornecendo. Isso ajudaria a combater a pobreza
em países da África e da América Latina”, afirmou.
Porto também disse que é importante que se saiba a
quem interessa as críticas aos biocombustíveis. Segundo o secretário, a maior interessada é a indústria do petróleo. Ele afirmou que, das commodities estratégicas mundiais, o petróleo é uma das que tem tido os maiores índices de aumento
de preço e com maior impacto sobre a economia.
“Sem dúvida, o
impacto do petróleo para a inflação no mundo é
maior do que o impacto dos alimentos, porque no caso dos alimentos a
alta de preços momentânea estimula a produção
e, havendo a produção, os preços voltam à
normalidade. No caso do petróleo, não há muito
mais como estimular a produção, porque ela é
finita", avaliou.
Na reunião, ficou acertado pelos representantes dos dois países que uma missão
norte-americana virá ao Brasil no mês que vem para verificar as condições sanitárias do rebanho de bovinos e suínos do estado de
Santa Catarina, considerado livre da febre aftosa sem necessidade de
vacinação. O Ministério da Agricultura pede o
reconhecimento também de outros estados, já que, no
caso da carne bovina, os catarinenses não são um grande
produtor.
Em contrapartida, no entanto,
o governo norte-americano pediu que o Brasil reconheça os Estados Unidos como
país livre do mal da vaca-louca. A reunião do Comitê
Consultivo Agrícola Brasil – Estados Unidos segue até amanhã (20).
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