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Brasília - O pãozinho
não deve sofrer redução significativa de preço apesar
do anúncio da suspensão da cobrança do Programa de
Integração Social e Contribuição para
Financiamento da Seguridade Social (PIS/Cofins), até dezembro,
para o trigo, a farinha e o pão francês. A afirmação foi dada, hoje (19), pelo presidente da
Associação Brasileira da Indústria
da Panificação e Confeitaria (ABIP), Alexandre Pereira.
Em entrevista ao programa Revista Brasil,
da Rádio Nacional, ele disse que a medida atingirá
apenas 5% do mercado de panificação, já que 95%
das padarias brasileiras são micro e pequenas empresas e,
portanto, não pagam PIS/Cofins. O imposto representa 9,25% de
tributação sobre os três itens.
Pereira contou que, nos últimos 12 meses, o
preço da farinha de trigo aumentou 90% e o do pãozinho
25%. Grande parte da alta, entretanto, se deu a partir de
janeiro, com 60% de aumento em um ano, quando a saca de 50 Kg de farinha passou de R$ 70
para R$ 112.
“O
setor estaria se preparando em maio para um novo reajuste. O que nós
podemos afirmar é que, em função disso [suspensão
da cobrança do PIS/Cofins], não haverá nenhum
tipo de reajuste do pão francês em maio, e há uma
tendência de algum tipo de queda. Mas não uma queda de
10% ou 15%, como governo anunciou. Poderá haver uma queda, de
3% a 4%, mas quando a farinha de trigo chegar mais
barata nas padarias, e isso, efetivamente, não aconteceu”,
afirmou.
O presidente da ABIP
ressaltou que sempre se fala do pão francês porque ele é
o carro-chefe das padarias, mas a farinha de trigo é utilizada
na fabricação de vários outros produtos, como
massas e biscoitos. Por isso, ele defende a autonomia do país
na produção de trigo.
“É uma questão
de segurança alimentar. É importante para o Brasil que
ele realmente tenha auto-suficiência no trigo para que possamos
ficar mais independentes no que tange à segurança
alimentar. Devemos ter uma política mais séria em
relação à triticultura nacional, para que não
sejamos pegos de surpresa novamente quando a Argentina resolver
quebrar os contratos com o Brasil”, destacou.
Em abril, o governo
lançou o Plano Nacional de Trigo, que visa a estimular o aumento
da produção do grão em até 25% já
para a próxima safra.
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