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Brasília - O líder dos DEM
no Senado, José Agripino Maia (RN), denunciou hoje (19) que o
governo quer “embaralhar” a aprovação do projeto
que regulamenta a Emenda 29, ao “jogar para o Congresso” a
responsabilidade de apontar fontes de receita disponíveis para
cobrir os gastos com saúde.
O projeto, já
aprovado pelo Senado, fixa percentuais mínimos para que a
União, os estados e os municípios invistam em saúde,
e deve ser incluído na pauta do plenário da Câmara na
semana que vem. A sua discussão
serve de contexto para outra discussão polêmica, a
recriação da Contribuição Provisória
sobre Movimentação Financeira (CPMF).
“O governo quer é
embaralhar a aprovação da Emenda 29. Ele [o governo]
não quer ver mais dinheiro para a saúde, essa é
que é a verdade”, disse o senador, acrescentando que as
desonerações para o setor exportador e a criação
do Fundo Soberano são o “sinal de que há dinheiro
sobrando no caixa do governo”.
“Dinheiro tem. O
governo acabou de anunciar R$ 21,5 bilhões de desoneração
para o setor de exportação, anuncia a criação
de um Fundo Soberano para financiar empresas brasileiras no exterior
e está com um superávit de arrecadação,
já constatado, que vai chegar a R$ 15 bilhões ao ano”,
apontou o senador.
A idéia de
recriar a CPMF inclui mudanças no valor da alíquota,
que passaria de 0,38%, cobrados antes da extinção do
imposto, para 0,08%.
A reação
de José Agripino foi em relação às
afirmações do ministro de Relações
Institucionais, José Múcio Monteiro, hoje pela manhã,
logo após mais de duas horas de reunião de coordenação
política com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e
outros ministros, de que caberia ao Congresso definir as fontes de
recursos para suprir os gastos com a aprovação do
projeto que regulamenta a Emenda 29.
O presidente Lula, de
acordo com Múcio, determinou na reunião que o governo
fique de fora da discussão sobre a proposta de recriação
do imposto. Agripino criticou a determinação. “O
governo quer ficar de fora de qualquer assunto polêmico. Quando
a proposta é polêmica, ele deixa para o Congresso
decidir”, afirmou o senador.
Outra proposta estudada
pelo governo para financiar a saúde é a de aumentar a
tributação sobre cigarros e bebidas. No entanto, o
próprio governo reconhece que essa elevação não
assegura o montante que o governo precisa para investir, conforme
declarações do ministro da Saúde, José
Gomes Temporão, hoje, no Rio.
O presidente da Câmara,
Arlindo Chinaglia (PT-SP), que anunciou que colocará a
proposta em votação logo após o feriado de
Corpus Christi, se esquivou de apontar de onde sairão os
recursos para bancar os princípios da Emenda 29.
“O Senado que
aprovou, então o Senado é que deveria indicar”, disse
Chináglia.
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