A polícia pode
concluir até o dia 2 de junho o inquérito instaurado
para apurar as causas do acidente com o barco Comandante Sales 2008,
que virou no Rio Solimões (AM) no dia 4 deste mês,
causando a morte de 47 adultos e de um menino de um ano de idade.
De acordo com o
delegado Antônio Rodrigues, da Polícia Civil de
Manacapuru - município mais próximo do local do
acidente -, ainda estão sendo coletados os depoimentos dos
sobreviventes, dos parentes e das testemunhas envolvidas no caso.
Antes de divulgar as
conclusões das investigações, a polícia
também espera contar com o resultado do inquérito
administrativo que será divulgado pela Marinha. Cerca de 50
pessoas já foram ouvidas pela polícia. Estão
sendo convocados também todas as pessoas que registraram
ocorrência de familiares desaparecidos.
Na última
sexta-feira (16), o comandante do barco, Luís Alves de Sales,
43 anos, foi preso em Manacapuru por homicídio culposo, após
prestar depoimento e reconhecer que dirigia a embarcação
no momento do acidente e que não estava habilitado para o
exercício da atividade.
Luís era um dos
irmãos do proprietário Francisco Alves de Sales (que
morreu no acidente). Além de Luís, também fazia
a viagem um outro irmão de Francisco, Aluísio Alves de
Sales.
Segundo o delegado
Antônio Rodrigues, os dois irmãos se passaram por mortos
temporariamente, já que depois do acidente eles não
foram mais vistos. "Só soubemos que os dois estavam vivos
porque um dos sobreviventes confessou à polícia, em seu
depoimento, que os dois haviam se salvado e que haviam fugido para
Manaus", disse o delegado.
O depoimento de Aluísio
Sales estava marcado para esta segunda-feira (19) na delegacia de
Manacapuru. Contudo, ele não apareceu. "Eu havia
conversado com ele na semana passada e informalmente pedi que viesse
à delegacia hoje para prestar depoimento. Como ele não
veio, já enviamos a intimação judicial para que
seja obrigado a prestar os devidos esclarecimentos até
quarta-feira (21)", informou o delegado.
Apesar das
investigações da Polícia Civil e da Marinha
ainda não terem sido concluídas, há fortes
suspeitas de que o acidente tenha ocorrido por causa de um fenômeno
natural conhecido na região como rebojo - uma espécie
de redemoinho que pode ocorrer no Rio Solimões e está
relacionado à densidade de águas.
Durante seu depoimento,
Luís Sales disse à polícia que o barco virou por
causa do rebojo. "Luís alegou que não estava
bêbado e que houve o rebojo. Ainda assim, queremos concluir
todas as investigações, terminar os depoimentos e
avaliar os laudos que estão sendo feitos pela Marinha e IML
para de fato apontarmos uma conclusão", acrescentou o
delegado.
De acordo com
depoimentos dos sobreviventes, no momento do acidente havia ventos,
mas não estava chovendo. Parte do barco estava coberto com
lonas (prática utilizada para proteger os passageiros de
ventos e chuvas), o que impediu que algumas pessoas a bordo
conseguissem sair do barco quando ele naufragou. As buscas por
desaparecidos já foram encerradas.