O governo
anunciou na última terça-feira (13) uma nova política
industrial, que pretende aumentar as exportações,
estimular a criação de pequenas e médias
empresas e elevar a participação brasileira no comércio
internacional. Com base nesses anúncios, surge uma série
de debates referente ao investimento e desenvolvimento tecnológico,
competitividade da indústria brasileira e inserção no
mercado estrangeiro.
Em
entrevista ao programa Notícias da Manhã, da Rádio
Nacional, o professor e pesquisador do Instituto Brasileiro de
Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV),
Maurício Canedo, ponderou alguns pontos dessa pacote.
Para ele, a política industrial é
composta por medidas que desoneram investimento em capital fixo e que estimulam o desenvolvimento. No entanto, teme que
algumas medidas setoriais possam favorecer apenas alguns setores,
que teriam prioridade na concessão de benefícios.
“A política industrial peca um pouco por conta desses subsídios. Essas desonerações seriam mais adequadas se houvesse
medidas mais horizontais”, explicou.
O
especialista considera a inovação tecnológica
importante, porém não concorda que o governo coloque
esse setor como prioridade.
“O
Brasil deve investir também em setores tradicionais, pois temos vantagens comparativas com
o agronegócio e o biodisel. Podemos
fazer inovação também em setores tradicionais”, completou.
Canedo pondera que se todos os setores forem incluídos no pacote, o efeito será positivo. No entanto, segundo ele, é importante que o país mantenha o foco nos setores em que tem vantagem comparativa, com nos de produção e de qualificação de mão-de- obra.