



|
São Paulo - Representantes da
Fundação Nacional do Índio (Funai), da
Procuradoria Geral da República, do Conselho Indigenista
Missionário (Cimi) e do Conselho Indigenista de Roraima (CIR)
participaram hoje (19) de um ato contra a redemarcação
da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, realizado na Faculdade
de Direito da Universidade de São Paulo (USP).
Durante o evento,
promovido pelo Grupo de Estudos em Direito Indigenista da USP, foram
feitos discursos em defesa da demarcação da reserva já
homologada pela Presidência da República. Os
manifestantes também reivindicaram que o Supremo Tribunal
Federal (STF) negue o pedido dos arrozeiros para permanecer no local
e libere a desocupação daquela área.
“Os índios não
estão pedindo favor. O que ele querem é que seus
direitos sejam respeitados”, afirmou o jurista e professor da USP
Dalmo Dallari. “A argumentação de que a presença
do índio na fronteira fragiliza a soberania nacional já
foi discutida na Constituinte. Portanto, só se deve cumprir o
que está estabelecido na Constituição”, disse,
rebatendo a alegação de militares que vêem a extensão
da reserva como uma ameaça à segurança nacional.
A demarcação
atual visa a garantir a cultura dos indígenas que habitam a
reserva, acrescenta a procuradora da República Deborah Duprat.
Segundo ela, a diversidade cultural também é um direito
garantido pela Constituição. “A Constituição
também trata da cultura. Diz que cada um tem o direito de
viver como manda a seu meio cultural. Sem o território, os
índios da Raposa Serra do Sol não poderão viver
do seu modo."
Durante a manifestação,
os representantes da Funai, da Procuradoria Geral da República,
dos dois conselhos e da USP denunciaram as agressões sofridas
pelos índios nos últimos anos, por causa do conflito
com os arrozeiros. Ao final do encontro, eles redigiram um documento
no qual relatam a situação dos indígenas e
apresentam suas reivindicações para ser encaminhado ao
STF.
|
|