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19 de Maio de 2008 - 19h01 - Última modificação em 19 de Maio de 2008 - 19h01


Crianças de 1 a 6 anos são maiores vítimas da falta de saneamento, revela pesquisa

Morillo Carvalho
Repórter da Agência Brasil

 
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Antonio Cruz/ABr
Brasília - O professor da Fundação Getulio Vargas Marcelo Néri, durante divulgação dos resultados da pesquisa Trata Brasil: Saneamento e Saúde
Brasília - O professor da Fundação Getulio Vargas Marcelo Néri, durante divulgação dos resultados da pesquisa Trata Brasil: Saneamento e Saúde
Brasília - Apenas 46,77% da população brasileira tem acesso ao esgotamento sanitário. As mais prejudicadas pela falta de saneamento são as crianças de 1 a 6 anos. Esta é a conclusão da pesquisa Trata Brasil, organizada pelo instituto que leva o mesmo nome e pela Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgada hoje (19) no Ministério das Cidades, em Brasília.

“As maiores vítimas são as crianças porque são mais afetadas pelas condições ambientais. A criança que brinca na vala negra quando já tem essa idade, mas tem impacto também sobre o aproveitamento escolar. Ao mesmo tempo o acesso ao saneamento básico, as obras, não só evitam problemas de saúde, como também geram emprego e renda onde o emprego é raro, que são nas grandes favelas”, defende o coordenador da pesquisa, Marcelo Neri.

A pesquisa revela que a taxa de mortalidade de crianças nesta faixa etária, de 1995 a 1999, era de 3,75% entre a população que não possuía acesso à rede de esgoto, e de 2,35%, entre a população que possuía. Entre 2001 e 2006, os números são de 2,89% e 2,25%, respectivamente.

“A pesquisa identifica um importante impacto sobre a mortalidade de crianças de 1 a 6 anos e do número de filhos nascidos mortos. Isso é só a ponta do iceberg, os custos são muito maiores, as crianças que não têm aproveitamento escolar. O número maior é que cada real que você gasta em saneamento você economiza R$ 4 na área de saúde”, detalha Neri.

Um agravante para essa situação é que a taxa de redução da pobreza anda quatro vezes mais rápido do que o acesso ao saneamento. Ou seja, nesse ritmo, de acordo com Neri, seriam necessários mais 56 anos para que a meta do milênio - de reduzir pela metade o déficit do saneamento - seja atingida. Há 14 anos, o esgotamento sanitário atingia apenas 36,02% da população - o crescimento nesse período foi de cerca de 10%.

O dado sobre o saneamento leva em consideração apenas os domicílios em que o esgoto é coletado por redes, descartando aqueles que possuem fossas sépticas – solução que o Ministério das Cidades considera adequada para o destino dos dejetos e eleva o percentual brasileiro de coleta para quase 90%. Para Neri, a pesquisa serve para mobilizar a sociedade sobre seus direitos básicos.

“A mudança [se dá] através de informar a ação. Quer dizer, a mãe de família perceber qual é a falta de saneamento no seu bairro, no seu município e mobilizar sua população sobre direitos básicos. Uma parte do movimento pode ser chamada de 'ao invés de um computador por criança, uma privada decente por família'. Há coisas básicas da existência das pessoas que estão sendo deixadas de lado. Está se pensando num computador, quando um padrão civilizatório mínimo não está sendo alcançado”, afirma.

Todos os dados e os cruzamentos da pesquisa são baseados na última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e estão disponíveis na internet, no site da Trata Brasil.


 


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