Os Estados Unidos admitiram que um avião militar invadiu o espaço aéreo da Venezuela no último sábado (17), mas afirmaram que a aeronave teria perdido as coordenadas e "involuntariamente" ingressado em território venezuelano. As informações são da BBC Brasil.

"Um aparelho S-3 Viking norte-americano que cumpria operações antidrogas perdeu suas referências de navegação, o que o levou a voar dentro do espaço aéreo da Venezuela", diz um comunicado do Pentágono divulgado na noite de ontem (19).

O governo da Venezuela já havia denunciado a invasão e afirmado que se tratava de um "ato de provocação" por parte do governo de George W. Bush.

Ainda de acordo com o comunicado, o controle aéreo venezuelano colaborou para que o avião deixasse o espaço aéreo do país latino americano.

"O apoio do controle aéreo venezuelano, que ofereceu assistência ao guiar o avião norte-americano para o espaço aéreo internacional, foi bastante apreciado", diz o texto.

Apesar de reconhecer que a operação foi involuntária, o Pentágono afirma que o incidente será investigado.

A Força Aérea dos EUA mantém em Curaçao (ilha caribenha que faz parte das Antilhas Holandesas, localizada ao norte da Venezuela) uma base militar que é utilizada por Washington em sua missão antidrogas na região.

Hoje (20), o embaixador dos Estados Unidos na Venezuela, Patrick Dudy, deve se reunir com o ministro de Relações Exteriores venezuelano, Nicolas Maduro, para dar explicações sobre o incidente.

A violação do espaço aéreo ocorreu no mesmo dia em que 60 militares colombianos teriam sido flagrados sem autorização dentro do território venezuelano.

Para o governo venezuelano, que afirma que os Estados Unidos pretendem provocar um conflito armado entre Colômbia e Venezuela, as ações não foram "coincidência". O governo da Colômbia nega as acusações. O ministro de Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, disse em Bogotá que foi feita uma investigação interna e a conclusão foi de que nenhuma tropa colombiana teria cruzado a fronteira.