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Brasília - A proposta para reduzir
a faixa da área de fronteira do Brasil com os demais países
da América do Sul encontrou resistência durante uma
audiência pública realizada hoje (20) pela Comissão
de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento
Rural da Câmara dos Deputados.
A proposta de emenda à
Constituição (PEC), do senador Sérgio Zambiasi
(PDT-RS), sugere a redução da faixa de fronteira de 150
quilômetros para 50 quilômetros – considerada área
de defesa com condições especiais para a realização
de empreendimentos.
Ao final da discussão,
o próprio senador admitiu que a proposta não é
suficiente para resolver os problemas de falta de desenvolvimento
econômico na maior parte dos 588 municípios localizados
na área que circula a fronteira oeste do Brasil do Rio Grande
do Sul até a Amazônia, uma área correspondente a
27% do território nacional.
“Ficou claro que a
PEC que apresentei não é suficiente. Os projetos
colocados aqui não são suficientes. Nós temos
que criar um marco regulatório para a faixa de fronteira.
Dentro do próprio governo há conflito de visão
sobre as regras que devem prevalecer nas fronteiras”, reconheceu o
senador.
E exemplificou: “Na
questão do domínio da terra, se o Incra [Instituto
Nacional de Colonização e Reforma Agrária]
quiser complicar só um pouquinho os processos de homologação
dos títulos, ele pode exigir todo histórico dominial, e
aí temos que nos remeter a 1600. Dessa forma, não há
como fazer negócio. Nessa investigação, com
certeza, existem cartórios que se queimaram, documentos que se
perderam, sem contar que teremos que chegar ao descobrimento da
América”.
A assessora da
Secretaria de Acompanhamento e Estudos Institucionais do Gabinete de
Segurança Institucional da Presidência da República,
Renata de Souza Furtado, defendeu a elaboração de um
marco regulatório para as áreas de fronteira, e
destacou que o rigor na vigilância e no domínio das
terras deve continuar.
Renata disse que
existem interesses de “grandes empresas e grandes negócios,
que estão indo para a fronteira”.
“Isso precisa ser
olhado com muito cuidado. Ao contrário de reduzir a área
de fronteira, o ideal seria que estendêssemos o mesmo rigor
para todas as áreas do Brasil. É importante uma
legislação moderna, mas precisamos continuar mapeando,
identificando, a dosagem de estrangeiros na nossa fronteira”,
afirmou.
A procuradora-geral do
Incra, Gilda Diniz dos Santos, negou divergências no governo em
relação à legislação que rege a
comercialização das terras em faixa de fronteira. E
lembrou as concessões feitas pelo órgão de não
exigir a averiguação da cadeia dominial no caso de
compra e venda de pequenas ou médias propriedades.
Ela ressaltou, no
entanto, a necessidade do controle em relação aos
demais casos. “É necessário que se tenha o controle
do que se passa no país. Nós estamos fazendo nosso
dever de casa”, disse a procuradora.
A proposta também encontra resistências
nas Forças Armadas. Segundo o secretário de Política,
Estratégia e Assuntos Internacionais do Ministério da
Defesa, coronel Gustavo de Souza Abreu, a redução da
faixa de fronteira torna vulnerável a defesa do território
nacional.
Para incentivar o crescimento dos municípios
localizados na faixa de fronteira, o Departamento
de Programas das Regiões Sul e Sudeste da Secretaria de
Programas Regionais do Ministério da Integração
Nacional estuda a criação de um fundo para o
desenvolvimento dessas cidades.
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