O Índice de Desenvolvimento Social, elaborado pelo Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), revela que o Brasil experimentou um grande desenvolvimento social,  na década de 70, com crescimento equivalente a 42% do total de 37 anos pesquisados.

O IDS cobre o período que vai de 1970 a 2007.  “Na média  do período, o desempenho social do Brasil equivale a um crescimento de 2,1% ao ano”, antecipou hoje (20) o economista do Inae Roberto Cavalcanti, idealizador do cálculo do índice, que será divulgado na próxima semana, no 20º Fórum Nacional, evento promovido pelo instituto.

“Houve desenvolvimento social mesmo nos períodos de baixo crescimento econômico, nos anos 80 e 90, embora a evolução tenha sido mais lenta”, destacou Cavalcanti.

Segundo ele, o desenvolvimento social atingiu 4% ao ano nos anos 70, caindo para 1,2% ao ano na década seguinte. O economista explicou que o crescimento é comparado com o aumento da renda per capita (por cabeça) e não com o crescimento da produção, no cálculo do índice. De 2000 a 2007, houve recuperação, chegando a uma faixa de 2% ao ano. “Não é uma coisa pequena. É significativa, sobretudo se a gente tem em mente o desempenho da economia”, registrou.

O  Brasil experimentou uma fase de forte crescimento econômico nos anos 70, seguindo-se uma fase de crescimento “anêmico” nos anos 80 e 90, disse o economista. E, mais recentemente, houve uma lenta recuperação do crescimento. “O país hoje está com um crescimento de nível médio, na faixa dos 4% a 5%”, afirmou.

A segunda conclusão que se tirar a partir do IDS, quando se examina o mapa brasileiro, é que houve uma redução das desigualdades entre as regiões e os estados. “Redução significativa, importante. Ou seja, houve convergência”, observou Cavalcanti. Para o economista, as disparidades espaciais estão diminuindo, especialmente com relação ao Nordeste e ao Centro-Oeste.

Quando se examina os dados de estados, conclui-se que nem sempre os líderes na economia são lideranças em desenvolvimento social. Santa Catarina e Rio Grande do Sul, por exemplo, apresentam índices melhores do que o estado de São Paulo. “Há peculiaridades que refletem fenômenos locais, seja na área de educação, caso de Santa Catarina, seja na área da saúde, em termos de expectativa de vida, redução da mortalidade infantil. Essas peculiaridades são mais intensas em certos estados, que têm um arranjo social mais harmônico e equilibrado do que em outros”, exemplificou.

O IDS mostrou ainda que, apesar de ter havido uma leve redução nas desigualdades de renda, essas diferenças permanecem elevadas no Brasil. “Em níveis realmente dramáticos. Entre as pessoas, o desequilíbrio social continua muito grave, embora a gente capte sinais de uma lenta melhoria de 1997 para cá”, registrou.

O economista defendeu a necessidade de que um esforço maior  para obter reduções mais significativas em termos de desigualadade interpessoal de renda.

Em contrapartida, a análise das condições habitacionais, envolvendo indicadores de disponibilidade de água e energia, além da posse de eletrodomésticos - como geladeira e televisão - mostra que ocorreu um “espetacular” avanço. A percepção é que, mesmo as famílias pobres, com rendas mais baixas, já têm acesso a esses serviços e a bens domésticos. “E as diferenças regionais estão quase se minimizando”, constatou.

O economista  destacou que, apesar da desigualdade de renda, o avanço em termos de bem-estar doméstico e familiar é importante. “E continuou. Não parou nos anos 70”, disse. O IDS construiu uma série com cinco componentes e 12 variáveis. Os componentes são saúde, educação, trabalho e emprego, rendimento, distribuição de renda, e condições habitacionais.

O superintendente geral do Inae, João Paulo dos Reis Velloso, disse que o IDS, calculado pelo instituto, é mais completo do que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da Organização das Nações Unidas (ONU). O índice da ONU  tem quatro variáveis.

Reis Velloso disse que o IDS vai continuar a ser usado, “com a idéia do que deve ser, realmente, o desenvolvimento social”. Segundo ele, “a oportunidade para os pobres vem através da educação e de emprego. Com isso, você realmente tira o pobre da pobreza”, concluiu. O índice deve ser atualizado a cada edição do fórum do Inae.