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Brasília - Diplomatas
brasileiros que negociam acordos ambientais na 9ª Conferência
das Partes da Convenção das Nações Unidas
sobre Biodiversidade (COP-9), foram vaiados hoje (20) durante a
reunião, que acontece em Bonn, na Alemanha, após votarem
contra o “princípio da precaução” na
produção dos biocombustíveis.
Além
das vaias em plenária, o país foi criticado por cerca
de 200 manifestantes brasileiros e estrangeiros que usavam camiseta
laranja em alusão ao fogo do desmatamento. Segundo a
organização não-governamental (ONG) Terra de
Direitos, a camiseta laranja tinha na frente os dizeres: "Brasil e
Alemanha: comprometidos com a destruição da
biodiversidade. Não compre este acordo".
A frase é
uma referência ao recente acordo energético
assinado entre os dois países, que inclui exportação
de etanol e cooperação nuclear.
“A
expansão da fronteira agrícola atualmente é a
maior causa de perda de biodiversidade; então, o fato de o
Brasil se opor a essa discussão nessa plenária demonstra claramente a irresponsabilidade do Brasil em relação
a esse modelo. É uma postura absolutamente injustificada”,
apontou assessora jurídica da ONG, Maria Rita Reis.
Na
avaliação da Terra de Direitos, a posição
do governo brasileiro, favorável à produção
dos biocombustíveis, é “insustentável”.
Os
ambientalistas temem que a expansão das lavouras de
cana-de-açúcar, matéria-prima do etanol
brasileiro, empurre a produção de alimentos e a
pecuária para a floresta e aumente o desmatamento na Amazônia.
Na avaliação do pesquisador do Instituto do Homem e
Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Adalberto Veríssimo,
essa possibilidade torna o país “bastante vulnerável”
às críticas de estrangeiros.
“O
Brasil vai continuar numa posição difícil, de
tentar explicar o inexplicável. Não tem mais sentido o
desmatamento no século 21 no patamar que se desmata na
Amazônia, que é muito elevado”, lembrou.
O
superintendente de conservação para os programas
regionais do WWF-Brasil, Cláudio Moretti, reconhece que há
desinformação e “entendimento equivocado” sobre a
produção de biocombustíveis no Brasil. No
entanto, avalia que o país erra na negociação
diplomática sobre o tema.
“Nós
entendemos que a postura correta é negociar abertamente
critérios socioambientais que sejam firmes e claros, agora não
dá para aceitar isso quando o Brasil se coloca nos fóruns
mundiais como se fosse perfeito: porque nós produzimos energia
limpa, que é da hidrelétrica, daí não se
discute os impactos da hidrelétrica; produzimos o combustível
mais adequado que não é o petróleo, é o
biocombustível e não aceita questionar que a sua forma
de produzir biocombustíveis está errada”, argumentou.
Os
ambientalistas também defendem que o Brasil adote medidas mais
rigorosas de controle do estudo de sementes geneticamente modificadas
e isole a produção de alimentos transgênicos.
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