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20 de Maio de 2008 - 11h48 - Última modificação em 20 de Maio de 2008 - 11h52


E-mail com dossiê foi ameaça, afirma funcionário do Senado

Priscilla Mazenotti
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - O funcionário da segunda vice-presidência do Senado André Fernandes disse ter interpretado como uma ameaça o e-mail recebido do ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil, José Aparecido Pires com uma planilha de gastos presidenciais na gestão de Fernando Henrique Cardoso. Fernandes disse à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Cartões Corporativos que recebeu, além da planilha de gastos – o chamado dossiê –, um texto falando da obrigação do administrador público na prestação de contas.

“Não pedi para receber o e-mail”, disse. “Foi uma troca de e-mails corriqueira e interpretei claramente como uma intimidação ao partido. Sou assessor de um dos principais senadores da oposição [Álvaro Dias – PSDB/PR]. Ele manda um e-mail com gastos sem critério nenhum, sem lógica nenhuma. E na época ainda estava se discutindo se as investigações da CPMI iriam regredir até 1998 ou não. Ele não é ingênuo, eu também não. Eu já participei de CPI, ele também”, completou.

Segundo o funcionário, essa não foi a primeira vez que foi ameaçado por José Aparecido Pires. Fernandes disse que em 2004, quando era assessor do então senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) durante a CPI do Banestado, recebeu claramente ameaças de Aparecido.

“Em agosto, quando a CPI estava pegando fogo, ele falou claramente, e para bom entendedor meia palavra basta: 'somos o lado forte. No Planalto já sabem o nome de vocês, o Antero está perdido'. Depois disso, falei com o senador [Antero]”, contou. André Fernandes acrescentou que o parlamentar não foi ao plenário denunciar a ameaça a pedido dele. “Disse que era uma questão pessoal e que havia rompido com ele [José Aparecido Pires] ”.

O funcionário da segunda vice-presidência do Senado disse que conhece o ex-secretário da Casa Civil desde 1991, mas, por conta da discussão em 2004, a amizade ficou distante. Ele fazia parte de uma lista de amigos para os quais Fernandes mandava e-mails “apenas corriqueiros”. “Não discutia política com ele”, afirmou, ao acrescentar que a planilha de gastos chegou ao seu e-mail enquanto estava de férias. “Ele tentou me usar como peão duas vezes. Tentou me intimidar duas vezes. Isso já mostra muito bem quem é ele”, disse.
 
André Fernandes ainda admitiu que chegou a indicar um amigo para trabalhar com Aparecido no Palácio do Planalto.



 


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