



|
Brasília - A
violência é responsável por altos índices
de mortalidade entre os adolescentes e jovens brasileiros, de
15 a 29 anos, “fazendo com que esse período etário
seja considerado de alto risco, quando poderia ser um dos mais
saudáveis do ciclo vital”. A conclusão é do
estudo Juventude e Políticas Sociais no Brasil,
divulgado hoje (20) pelo Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea).
De
acordo com o levantamento, “morre um número
significativamente superior de homens do que de mulheres” nessa
faixa etária. A alta taxa de mortalidade entre os jovens do
sexo masculino, que entre 2003 e 2005 chegou a ser quase cinco vezes
maior que entre as mulheres da mesma idade, se deve principalmente a uma grande
exposição à violência.
Entre
2003 e 2005, morreram cerca de 60 mil jovens do sexo masculino, a
maior parte das mortes – 78% – foi causada por fatores externos,
majoritariamente associadas a homicídios e acidentes de
trânsito. Entre as mulheres, os óbitos causados por
esses fatores representam 35% do total.
Para
os jovens negros, o quadro é ainda mais complicado, segundo o
Ipea. Entre os jovens de 18 a 24 anos, a taxa de mortalidade entre os
brancos foi de 204,58 por 100 mil entre 2003 e 2005; e chegou a
325,04 para cada 100 mil jovens negros.
Além
da violência, o relatório aponta comportamentos de risco
como fatores responsáveis por óbitos entre jovens no
Brasil, entre eles, o consumo de cigarro, álcool e drogas,
além da exposição a doenças sexualmente
transmissíveis. “Uma importante causa da morbimortalidade no
grupo das doenças infecciosas e parasitárias [que
atingem os jovens] é representada pela aids”, segundo
o documento.
Até 2005, o Brasil registrou 112 mil casos da
doença em jovens de 15 a 29 anos. “O número
representa 30% do total de casos notificados no país desde o
início da epidemia, nos primeiros anos da década de
1980”, destaca o texto do Ipea.
De
acordo com a pesquisa, as políticas públicas para
reduzir os índices de mortalidade entre jovens devem passar
pela articulação de medidas de combate à
violência e saúde pública, entre outras. “A
sobremortalidade de adolescentes e adultos jovens, especialmente por
causas violentas, continua sendo o principal desafio para a proteção
deste grupo etário, não só para a área de
saúde, mas para as políticas públicas de uma
forma geral”.
|
|