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Brasília - Financiamentos de
imóveis iniciados na década de 80 ou 90, cujas
prestações terminam em 2008 ou nos próximos três
anos, ainda podem trazer dor de cabeça para os
mutuários. Segundo a Empresa Gestora de Ativos (Emgea), criada
em 2001 para cumprir o papel de liquidante dos créditos
imobiliário originários da Caixa, 30 mil contratos de financiamento vencem nesse
período com saldo devedor maior do o valor de mercado do
imóvel (contrato em desequilíbrio). Desse total, 8
mil vencem neste ano e 3
mil já foram liquidados. Pelos contratos, ao vencer o prazo de
financiamento, o saldo devedor é automaticamente refinanciado
pela metade do prazo original.
O diretor-presidente da Emgea, Valter Correia da Silva, explica que isso acontece
devido aos planos econômicos adotados nas décadas de
1980 e 1990 e à criação do Plano de Equivalência
Salarial. Ou seja, enquanto a dívida era reajustada pela
correção monetária mais 10,5% ao ano, as
prestações eram corrigidas com base nos reajustes
salariais dos trabalhadores. Ele diz que o Plano de Equivalência
Salarial serviria “hipoteticamente” para que o mutuário
pudesse honrar com os compromissos, em uma época de alta da
inflação. “Gerou uma uma distorção
total, porque o mutuário pagava uma prestação
baixa, porque o salário não acompanha a inflação
e o financiamento dele foi crescendo de uma forma exponencial. O
problema foi postergado”.
Silva acrescentou que quando acabam as prestações
muitos mutuários acham que a dívida foi quitada. “Mas
quando ele vai ver, vai ter quitar uma nova casa e às vezes um
pouquinho mais. Então, a prestação às
vezes passa de R$ 500 para R$ 3 mil, por exemplo. O resíduo
é o saldo devedor, ou seja, o que ele não conseguiu
pagar”.
“As pessoas precisam ter bom senso e saber que estão
pagando muito pouco. Tem gente que paga de prestação
muito menos do que de condomínio, então alguma coisa
está errada. Ninguém pode achar vai levar tanta
vantagem assim”.
O diretor-presidente da Emgea afirmou que a solução
proposta ao mutuário pela empresa é descontar tudo o que
já foi pago do valor atual de mercado do imóvel. “A
gente está mandando carta para as pessoas virem negociar antes
que vença o contrato”, disse. Ele ressaltou que como o
mercado imobiliário está aquecido, o valor dos imóveis
está em alta. “Então quanto mais tempo o mutuário
levar para nos procurar, maior será o valor de avaliação
do imóvel, ou seja, maior vai ser a dívida”.
A negociação pode ser feita nas agências
bancárias da Caixa, que presta esse serviço à Emgea. O
mutuário pode também fazer uma simulação
na página da Emgea na internet. Para isso, é necessário
informar o valor de mercado do imóvel. Se o mutuário
considerar a simulação conveniente, o próximo
passo é pedir a avaliação oficial feita pela
Caixa. Neste caso é cobrada uma taxa de R$ 400.
Entrento, segundo Silva, a maioria dos mutuários
prefere recorrer à Justiça, em vez de negociar diretamente
com a empresa. “As pessoas recorrem à Justiça por
desorientação e porque já têm uma cultura de que
ou você recorre à Justiça ou vai ser passado
para traz, vai ser enganado”.
Segundo ele, uma associação de mutuários
procura a todos para orientar a entrar na Justiça. “É desnecessário, a mesma proposta que a
gente faz na Justiça é a proposta que a gente faz no
processo administrativo. Mas todo cidadão
pode procurar um advogado e a Justiça para garantir que seu direito
seja plenamente garantido”. Silva orienta os mutuários a procurar a Caixa
para negociar e, em seguida, se achar necessário, conversar
com um advogado que pode analisar se a proposta está correta.
Atualmente, há 120 mil contratos na Justiça. Desde
2001, quando a Emgea foi criada, foram feitas 51 mil audiências
de conciliação, com cerca de 55% de acordo.
Pela proposta da Emgea, o mutuário pode
refinanciar o saldo devedor, com prestações corrigidas
pela Taxa Referencial (TR) mais 9,5% ao ano, ou pagar o que falta à
vista, com desconto de 10%. O mutuário pode usar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar a dívida. “Desde a primeira prestação,
o mutuário já está amortizando. No sistema
anterior não, ele ficava pagando juros até a metade do
contrato para depois começar amortizar”, explicou. Ao final
do financimento, o imóvel estará quitado.
* Colaborou Daniel Lima.
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