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Brasília - Embora
tenha sido coordenado pela Associação Brasileira de
Empresas de Transportes Aéreos Regionais (Abetar) e realizado
por um professor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica
(ITA), o estudo técnico – que indica diminuição no número de
cidades atendidas por vôos comerciais regulares devido à “liberalização do setor” e à
concorrência “predatória” entre as companhias – foi
encomendado e pago pelo Ministério do Turismo.
Segundo o assessor especial da
ministra Marta Suplicy, Roberto Garibe, a redução do
número de municípios e de microrregiões que
contam com vôos comerciais regulares afeta o incremento da
atividade turística nas localidades atingidas, razão
pela qual o ministério encomendou o estudo. “O turista
[brasileiro ou estrangeiro] não chega a certos destinos
do país se não houver linhas aéreas. Se não
houver acesso aéreo o futuro turístico desses locais
fica comprometido. Daí nosso esforço em apoiar todo
tipo de estudo e iniciativa que melhore a cobertura aérea.”
Garibe explicou à Agência
Brasil que o objetivo do estudo é analisar como está
organizada a malha aérea e se ela atende à proposta
ministerial de priorizar o incentivo a determinadas localidades
turísticas. “Essa é a intenção do
ministério, a razão de ser desse trabalho. Mostrar que
estamos investindo em destinos que poderiam ter uma força
ainda maior caso tivessem uma melhor cobertura aérea”.
O assessor afirmou que o fato de o
ministério ter custeado o estudo não pode ser visto
como um sinal de que concorde com as conclusões e sugestões
apresentadas no estudo. Garibe frisou que o ministério não
tem qualquer intenção ou interesse de beneficiar os
interesses de qualquer grupo ou companhia. “Para o turismo, a
aviação regional é importante porque pode
incrementar o número de cidades atendidas por linhas aéreas.
Hoje, esse número é muito pequeno e concentrado”,
disse o assessor.
Entrevistado por telefone, Garibe
não soube precisar o valor pago pelo estudo, “mas acho que
ficou em torno de R$ 300 mil reais”, e disse não ver
qualquer conflito de interesse em o ministério custear o
trabalho coordenado pela Abetar, à qual estão
associadas as empresas aéreas regionais, diretamente
interessadas no assunto. “Tivemos cuidado para que o estudo
contasse com a participação dos técnicos que
melhor pensam a aviação regional. Todos os envolvidos
são reconhecidos como grandes pensadores do tema. Não
concordamos com tudo, mas o estudo pode provocar o debate sobre algo
que o governo ache importante fazer."
Segundo Garibe, o estudo já
foi entregue pela ministra Marta Suplicy ao ministro da Defesa,
Nelson Jobim, que o encaminhou à Secretaria de Aviação
Civil, com quem o Ministério do Turismo tem discutido formas
de divulgar o documento para outros setores envolvidos com o tema.
“Queremos que o estudo seja uma referência na discussão
do marco regulatório capaz de incrementar a aviação
regional no país, uma discussão que resulte em uma
política que proporcione a maior cobertura aérea.”
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