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Brasília - A
quantidade de cidades atendidas por vôos comerciais tem
diminuído devido à "liberalização do
setor" e à "concorrência predatória"
entre as empresas. É o que sustenta um estudo coordenado pela
Associação Brasileira de Empresas de Transportes Aéreos
Regionais (Abetar) e financiado pelo Ministério do Turismo.
Realizado
por técnicos do Núcleo de Estudos em Competição
e Regulação do Transporte Aéreo (Nectar) do
Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em parceria
com profissionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o
trabalho revela que, nos últimos dez anos, o número de
aeroportos em operação diminuiu de 199 para 155. Essa
variação negativa atingiu diretamente 384 cidades,
afetando pelo menos 8 milhões de brasileiros obrigados a se
deslocar até outras localidades para viajar de avião.
Enquanto
em 1998 o número de municípios atendidos por vôos
regulares chegava a 1.821, hoje é de 1.437. Se consideradas as
microrregiões (conjunto de cidades limítrofes) cobertas
pela malha aérea comercial, a quantidade caiu de 166 para 131.
Em 2005, o número de pessoas com possibilidade de apanhar um
avião em sua própria microrregião chegava a 113
milhões. Hoje, de acordo com os dados apresentados no estudo,
é de 104 milhões.
Segundo dados da Empresa Brasileira de
Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), porém, a quantidade de pessoas que viajaram de avião no ano passado, aumentou
8,24%, em relação ao ano anterior. Em 2007 foram registrados
110,6 milhões de embarques e desembarques nos 67 aeroportos
administrados pela estatal.
A Agência Nacional de
Aviação Civil (Anac) confirma a redução
de 44 aeroportos ao longo da última década, mas
apresenta números diferentes do estudo. Segundo a agência,
em 1998 o país contava com 181 aeroportos. Hoje, são
137. Porém, segundo informações da própria Anac, pela atual legislação, as companhias aéreas concessionárias de rotas domésticas são livres para definir os locais
que irão atender. A única exceção seria o Aeroporto de Congonhas (SP),
onde os pousos e decolagens da aviação regular estão limitados a 30
movimentos por hora.
A
redução do número de aeroportos ocorreu em todo
o país, mas a Região Norte foi a que mais perdeu em
termos absolutos de cobertura. Lá, o número de
aeroportos em operação baixou de 59 para 46, uma
variação de 22%. A quantidade de microrregiões
cobertas baixou de 41 para 33, enquanto o número de municípios
atendidos caiu de 248 para 214.
Na
Região Centro-Oeste, o número de aeroportos em operação
diminuiu 29%, passando de 31 para 22. O número de
microrregiões cobertas baixou de 24 para 18 e o de municípios
atendidos de 232 para 162.
Na
Região Nordeste, a quantidade de aeroportos em operação
baixou de 35 para 29 (menos 17,1%). As microrregiões cobertas,
que antes chegavam a 31, hoje são 26. Já o número
de municípios caiu de 366 para 274.
Na
Região Sudeste, a quantidade de aeroportos em operação
baixou de 42 para 32 (menos 23,8%), o número de microrregiões
cobertas caiu de 39 para 30 e o de municípios, de 516 para
417. Já na Região Sul, o número de aeroportos em
funcionamento baixou de 32 para 26 (variação de 18,8%),
o de microrregiões cobertas de 31 para 24 e o de municípios
de 459 para 370.
O
estudo defende que, devido à liberalização do
setor, o transporte aéreo nacional se tornou um segmento com
alto grau de desregulamentação econômica. Com
isso, as companhias aéreas passaram a competir livremente,
concentrado suas operações nos aeroportos grandes e
médios, em detrimento dos aeroportos locais.
A
chamada “liberalização do setor”, sustenta o
estudo, teria se intensificado a partir da década de 1990, com
a chamada Política de Flexibilização da Aviação
Comercial Brasileira - um conjunto de ações
governamentais cujo objetivo era remover, gradativamente, os
controles sobre as variáveis econômicas do setor. A
criação da Anac, em 2005, teria consolidado essa
estratégia.
Financiado pelo Ministério do Turismo, o
estudo foi entregue no dia 7 de maio a ministra Marta Suplicy, que o
apresentou ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, na mesma data. O
documento foi dividido em quatro capítulos: um diagnóstico
dos atuais estágios de regulação e de cobertura
dos mercados aéreos regionais; a identificação
da demanda e do potencial de usuários para a aviação
regional; a competitividade entre as empresas e a necessidade de
investimentos em infra-estrutura nos mercados regionais e propostas
para a criação de um marco regulatório
específico para o setor.
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