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Brasília - O ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República
(SEDH), Paulo Vannuchi, afirmou hoje (21) estar convicto de que a Justiça do
Pará irá rever a absolvição do fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida,
acusado de ser o mandante do assassinato da missionária Dorothy Stang. Em viagem
oficial à cidade de Altamira (PA), Vanucchi disse, em entrevista à Agência
Brasil, que a absolvição do fazendeiro não pode ser vista como "celebração
da impunidade".
"Pessoalmente, estou absolutamente seguro de que o
Tribunal de Justiça do Pará saberá corrigir essa sentença de absolvição e
condenar o réu [Vitalmiro Bastos de Moura], como já fez anteriormente, a
uma pena rigorosa", disse o ministro que foi a Altamira para reunião com o bispo
dom Erwin Kräutler.
O religioso denunciou em audiência pública no Congresso
Nacional que mais de 300 pessoas estão ameaçadas de morte no estado e destas,
apenas 100 estão sob proteção do Estado.
Segundo o ministro, sua ida a Altamira serve para
"sinalizar que não existe impunidade no Brasil". Vanucchi discordou do número de
ameaçados de morte apresentado por dom Erwin. "A lista alegada de 300 pessoas
ameaçadas, nós ainda não confirmamos", afirmou o ministro argumentando que os
números da igreja são "excessivamente elevados".
De acordo com dados do governo,
cerca de 60 pessoas estariam com a vida em risco por denunciar tráfico de seres
humanos e de drogas, biopirataria e outros crimes no Pará.
"Visitamos os bispos, exatamente, para pedir o nome e a
identificação [das 300 pessoas]. Porque a proteção tem que ser aceita
formalmente pela pessoa ameaçada e isso implica no acompanhamento diário por
policiais", disse o ministro.
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