|
Brasília - A Empresa Gestora de Ativos (Emgea), encarregada de
administrar contratos de financiamento imobiliários
de difícil recuperação originários da Caixa e outras instituições,
acumula prejuízos de R$ 10 bilhões desde 2001, quando foi criada.
Com a renegociação de
dívidas, são recuperados R$ 160
milhões por mês, mas como a dívida da Emgea com o
Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) é maior
(R$ 250 milhões por mês) e há ainda outras
despesas, o déficit fica em R$ 150 milhões por mês. A Emgea é uma empresa estatal vinculada ao Ministério da Fazenda.
Segundo o diretor-presidente da Emgea, Valter
Correia da Silva, esses números estão praticamente
estáveis nos últimos anos, embora o número de
contratos com pendência tenham diminuído. Quando foi
criada, a Emgea recebeu 1,3 milhão de contratos. Atualmente
ainda há 425 mil contratos a serem liquidados. Apesar da redução, a inadimplência tem aumentado e chega a 47% do total de contratos. No ano
passado, estava em 42%. “Esse
percentual vem aumentado porque os contratos que estão ficando
são os mais difíceis”.
Silva
explicou que todo o dinheiro recuperado é enviado ao FGTS.
“Muita gente confunde, achando que a Emgea, por ser empresa, está
indo atrás para ter lucro e não é. A Emgea é
uma empresa vinculada ao Ministério da Fazenda e esses
recursos recuperados são devolvidos para o próprio
sistema”.
Segundo
Silva, obter lucro é impossível uma vez que se trata de
contratos em desequilíbrio, ou seja a dívida é
maior do que o valor de mercado do imóvel.
Para os
contratos que estão adimplentes, o provisionamento é de
10%. “Os que estão inadimplentes a gente tem que ver caso a
caso e provisionar no início do ano todo o valor. Então
a gente vai recuperar o que for possível”. A Emgea é
captalizada pelo Tesouro Nacional.
Silva não tem previsão de quando todos os
contratos serão liquidados. “É difícil dar uma
previsão. Gostaríamos de resolver o mais breve
possível, mas as pessoas nos procuram na última hora
para poder resolver. É por isso que a gente está
ampliando esse contato com as pessoas que têm contrato a
vencer”. Segundo ele, a Emgea está enviando cartas aos
mutuários com contratos que em 2008 e nos próximos três
anos para renegociar.
São
30 mil contratos de financiamentos que vencem nesse período
com saldo devedor maior do o valor de mercado do imóvel. Desse
total, 8 mil vecem neste ano e 3 mil já foram liquidados.
Pelos contratos, ao vencer o prazo de financiamento, o saldo devedor
é automaticamente refinanciado pela metade do prazo original.A
proposta da empresa é descotar tudo o que já foi pago
do valor atual de mercado do imóvel no mercado.
Segundo o presidente da Emgea, mesmo com as negociações,
a empresa tem hoje em estoque para venda 9 mil imóveis que
foram retirados dos mutuários. Quando isso acontece, o imóvel
é leiloado ou vendido por meio de corretores.
* Colaborou Daniel Lima.
|