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Brasília - O
Tribunal Superior Eleitoral (TSE)) terá que reexaminar a
questão do registro de candidatos processados criminalmente ou
por improbidade administrativa, na medida em que o tema volte à
Corte sob a forma de processo, o que deverá acontecer devido à
proximidade das eleições municipais de outubro.
A
opinião foi manifestada pelo presidente do TSE, ministro
Carlos Ayres Brito, após receber hoje (21) a Carta de
Brasília, com as conclusões do IV Senaje (Seminário
Nacional de Juízes, Promotores e Advogados). Entre elas, um
pedido para que a Justiça Eleitoral avalie a vida pregressa
dos candidatos, caso a caso, "com base em critérios
objetivos, observando-se o devido processo legal para acolher ou não
os pedidos de registro de candidatura".
O ministro
recebeu a Carta de uma comissão de representantes dos
participantes do seminário, que foram ao seu gabinete no
Supremo Tribunal Federal (STF) para entregar o documento. Ayres Brito
não quis dizer se é favorável à mudança
da regra atual, que permite o registro de candidatos com esse tipo de
processo na folha corrida, porque estaria antecipando seu voto num
julgamento futuro. Porém, lembrou que, em setembro de 2006,
votou contra a concessão de registro no julgamento do processo
do presidente do Vasco e ex-deputado Eurico Miranda.
"Eu
me reservo para estudar e decidir no momento oportuno quanto a essa
questão", acrescentou o ministro. A Carta contém
outros dois pontos. No primeiro, defende a preservação
da Lei nº 9840-99, fruto de iniciativa popular, especialmente
quanto à execução imediata de decisões, à
configuração das condutas vedadas, independentemente da
potencialidade lesiva, e à garantia de prioridade na
tramitação aos feitos eleitorais que envolvam atos de
corrupção eleitoral como forma de garantir a
celeridade. No segundo ponto, o documento alerta que é preciso
fortalecer os mecanismos de democracia direta.
Para tanto, a
Carta sugere à Justiça Eleitoral a criação
de instrumentos que possibilitem a coleta de assinaturas dos cidadãos
nos cartórios eleitorais respectivos, como forma de viabilizar
a participação de todos nos projetos legislativos de
iniciativa popular, sem prejuízo de outras formas
de mobilização social para a reunião das
assinaturas.
Carlos Ayres Brito prometeu fazer a leitura da
Carta em sessão administrativa do TSE e elogiou muito o
trabalho dos participantes do Senaje. O juiz eleitoral do Maranhão
Marlon Ayres, um dos coordenadores do MCCE (Movimento de Combate à
Corrupção Eleitoral), que promoveu o IV Senaje, foi
quem entregou a o texto ao ministro e disse estar certo de que as
reivindicações vão ecoar no Tribunal Superior
Eleitoral. O MCCE pretende encaminhar ao Congresso Nacional um
projeto de lei de iniciativa popular, com assinaturas de 1% do
eleitorado brasileiro, para proibir o registro de candidaturas que
tenham problemas com a Justiça.
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