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21 de Maio de 2008 - 11h31 - Última modificação em 21 de Maio de 2008 - 11h31


Acareação entre José Aparecido e André Fernandes só será votada terça-feira

Priscilla Mazenotti
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - O cancelamento da reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Cartões Corporativos deixou um clima de despedida por parte dos parlamentares. A presidente da CPMI, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), marcou o próximo encontro do grupo para terça-feira (27).

A finalidade é votar o requerimento que pede a acareação entre o ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil José Aparecido Pires e o assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), André Fernandes. Marisa Serrano afirmou ainda que se os pedidos forem negados, partirá para a leitura dos relatórios.

“Terça feira, se não votarem favoravelmente os requerimentos que vou colocar em votação, parto para a leitura dos relatórios. Temos dois sub-relatórios e o relatório final e podemos ter ainda um paralelo”, explicou. “Temos de votar e encerrar a CPMI”, defendeu o relator da comissão, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ).

A CPI continuaria hoje o depoimento de José Aparecido – acusado de ter vazado o dossiê de gastos sigilosos de Fernando Henrique Cardoso –, mas os quatro parlamentares inscritos para os questionamentos não compareceram à reunião. Um deles, o deputado Nilson Mourão (PT-AC), esteve na CPMI, mas saiu antes do início das discussões.

A oposição acusou a CPI de fazer acordo para cancelar os depoimentos. “Não tem sentido não ter a reunião. É espantoso que as pessoas cheguem cedo, se inscrevam para falar e a reunião seja suspensa”, contestou o deputado Chico Alencar (Psol-RJ). “As forças políticas daqui – governo e oposição – não querem que a CPI avance mais. Reconheceram que nada vai mudar. A CPI dos Cartões Corporativos virou a CPI do cartão vermelho contra nós mesmos”, acrescentou.

O relator, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), rebateu a acusação. Segundo ele, a continuação do depoimento de Aparecido não iria acrescentar novidades ao relatório final. “Não houve nenhum entendimento [para encerrar a reunião]. Acredito que o tema hoje se esgotou. Não havia motivação, nem na base nem na oposição, para fazer mais perguntas ao Aparecido. As dúvidas que existiram acrescentaram muito pouco ao relatório que vou apresentar”, disse, confirmando que o parecer final será apresentado na próxima quinta-feira (29).

O deputado Índio da Costa (DEM-RJ), um dos sub-relatores da CPI, afirmou que vai pedir em suas considerações, que deve apresentar na próxima terça-feira (27), o indiciamento de mais de cem pessoas, entre ministros e autoridades acusadas de uso irregular de cartões corporativos.

“Sou sub-relator de fiscalização de gastos. Meu relatório tem mais de 60 páginas, mostrando escândalos no uso abusivo dos cartões. Vou pedir o indiciamento de vários usuários e vou entregar os pedidos ao Ministério Público”, explicou.

Ele também protestou contra o cancelamento da reunião de hoje. Para o deputado, a CPI não pode ser encerrada sem ouvir a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, acusada de ser a autora do pedido de produção do suposto dossiê. “Não acho possível acabar com a CPI semana que vem. A Erenice tinha de vir aqui para se explicar”, comentou.



 


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