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Brasília - O cancelamento da
reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito
(CPMI) dos Cartões Corporativos deixou um clima de despedida
por parte dos parlamentares. A presidente da CPMI, senadora Marisa
Serrano (PSDB-MS), marcou o próximo encontro do grupo para terça-feira
(27).
A finalidade é votar o requerimento que pede a acareação
entre o ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil José
Aparecido Pires e o assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR),
André Fernandes. Marisa Serrano afirmou ainda que se os pedidos forem negados,
partirá para a leitura dos relatórios.
“Terça feira,
se não votarem favoravelmente os requerimentos que vou colocar
em votação, parto para a leitura dos relatórios.
Temos dois sub-relatórios e o relatório final e podemos
ter ainda um paralelo”, explicou. “Temos de votar e
encerrar a CPMI”, defendeu o relator da comissão, deputado Luiz Sérgio
(PT-RJ).
A CPI continuaria hoje
o depoimento de José Aparecido – acusado de ter vazado o
dossiê de gastos sigilosos de Fernando Henrique Cardoso –,
mas os quatro parlamentares inscritos para os questionamentos não
compareceram à reunião. Um deles, o deputado Nilson
Mourão (PT-AC), esteve na CPMI, mas saiu antes do início
das discussões.
A oposição
acusou a CPI de fazer acordo para cancelar os depoimentos. “Não
tem sentido não ter a reunião. É espantoso que
as pessoas cheguem cedo, se inscrevam para falar e a reunião
seja suspensa”, contestou o deputado Chico Alencar (Psol-RJ). “As
forças políticas daqui – governo e oposição
– não querem que a CPI avance mais. Reconheceram que nada
vai mudar. A CPI dos Cartões Corporativos virou a CPI do
cartão vermelho contra nós mesmos”, acrescentou.
O relator, deputado
Luiz Sérgio (PT-RJ), rebateu a acusação. Segundo
ele, a continuação do depoimento de Aparecido não
iria acrescentar novidades ao relatório final. “Não
houve nenhum entendimento [para encerrar a reunião].
Acredito que o tema hoje se esgotou. Não havia motivação,
nem na base nem na oposição, para fazer mais perguntas
ao Aparecido. As dúvidas que existiram acrescentaram muito
pouco ao relatório que vou apresentar”, disse, confirmando
que o parecer final será apresentado na próxima
quinta-feira (29).
O deputado Índio
da Costa (DEM-RJ), um dos sub-relatores da CPI, afirmou que vai pedir
em suas considerações, que deve apresentar na próxima
terça-feira (27), o indiciamento de mais de cem pessoas, entre
ministros e autoridades acusadas de uso irregular de cartões
corporativos.
“Sou sub-relator de
fiscalização de gastos. Meu relatório tem mais
de 60 páginas, mostrando escândalos no uso abusivo dos
cartões. Vou pedir o indiciamento de vários usuários
e vou entregar os pedidos ao Ministério Público”,
explicou.
Ele também
protestou contra o cancelamento da reunião de hoje. Para o
deputado, a CPI não pode ser encerrada sem ouvir a
secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, acusada de
ser a autora do pedido de produção do suposto dossiê.
“Não acho possível acabar com a CPI semana que vem. A
Erenice tinha de vir aqui para se explicar”, comentou.
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