|
Brasília - A arrecadação recorde de impostos divulgada hoje (21) pela Receita Federal
servirá de combustível na próxima semana para a
briga entre o governo e a oposição em torno da votação
da proposta que regulamenta a Emenda 29 e a volta da Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF),
extinta no ano passado.
“Vamos utilizar os
meios jurídicos, políticos e regimentais para impedir a
volta da CPMF”, afirmou o líder do PSDB na Câmara,
deputado José Aníbal (SP).
O aumento recorde de
arrecadação não surpreendeu a oposição,
pelo contrário, já era esperado, na avaliação
do líder, que reconheceu o recorde como resultado do
crescimento econômico. No entanto, José Aníbal
criticou o destino que o governo pensa em dar para o resultado da
arrecadação dos impostos.
“A verdade é
que a receita é ascendente há quatro meses. Em janeiro
chegou a ficar em cerca de R$ 10 bilhões acima do esperado
pelo próprio governo. A economia está crescendo, a
indústria automobilística, que é quem paga mais
impostos, está explodindo, mas o que é necessário
refletir é o que está sendo feito com esses recursos”,
questionou o líder.
Aníbal
argumentou que o governo deveria complementar cerca de R$ 8 bilhões
para viabilizar a implantação da Emenda 29, que deverá
ser votada na Câmara na próxima semana.
“A Emenda 29 prevê
que 10% da receita líquida da União sejam aplicados na
saúde. Isso daria cerca de R$ 60 bilhões ao ano, e
restariam ainda cerca de R$ 8 bilhões para o governo
complementar. O governo alega que não tem de onde tirar devido
ao fim da CPMF. Ora, ele pode tirar da arrecadação”,
apontou José Aníbal.
O líder acusou o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva de fazer “chantagem”
com o Congresso em relação à Emenda 29.
“Primeiro ele [Lula] disse que se a Câmara aprovar a
Emenda 29 do jeito que ela está, ele vetaria. Depois disse que
não iria se movimentar para propor a volta da CPMF. Não
queria pagar o preço político dessa insensatez. Isso é
uma chantagem com os parlamentares”, disse o líder.
A volta da CPMF hoje,
para o José Aníbal, significa que o governo está
dando “um tiro no pé” devido ao aumento excessivo da carga
tributária.
“O próprio
governo propõe uma reforma tributária que está
tramitando no Congresso e já existe uma carga tributária
bem gorda. Porque propor a volta da CPMF neste momento?”,
questionou o deputado.
José Aníbal
disse que a oposição quer fazer valer o acordo para
votar a regulamentação da Emenda 29 no próximo
dia 28. Se isso não ocorrer, de acordo com o líder, a
relação entre o governo e a oposição no
Congresso deverá ter um contorno mais acirrado.
“Fizemos o acordo
para a votação. É interessante ressaltar que
pela primeira vez neste ano houve, neste mês, a elaboração
de uma pauta positiva. Conseguimos votar na semana passada as medidas
de segurança, nesta semana também aprovamos projetos
importantes. Se a votação não acontecer, esse
clima vai acabar”, alertou o líder tucano.
O tom adotado pelos
tucanos ficou claro no plenário da Câmara hoje, no final
da sessão. O deputado Antônio Carlos Mendes Thame (SP)
disse que é necessária uma reação de
forma drástica por parte da oposição.
“O governo deixa de
ajudar a saúde para ajudar empresas no exterior com subsídio
de 12%. O governo deixa de investir aqui para ajudar empresas
brasileiras no exterior, para gerar empregos no exterior. Não
dá pra entender. E ainda vem aqui com a cara lavada dizer que
cabe a esse Congresso encontrar os meios de poder financiar os
tratamentos de saúde. Não tem o menor sentido aumentar
impostos tendo recorde de arrecadação. Nós temos
que reagir de uma forma drástica, de uma forma vigorosa a mais
essa farsa que o Executivo quer jogar sobre o Legislativo”, afirmou
o deputado, referindo-se à criação do Fundo
Soberano, destinado a financiar empresas brasileiras no exterior,
anunciado pelo governo na semana passada.
|