|
Brasília - Na semana
em que o Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho
Escravo completa três anos, Ana Júlia Carepa,
governadora do Pará – um dos estados brasileiros que registra a maior incidência de mão-obra-escrava, de acordo com o Ministério do Trabalho – avalia a necessidade de envolvimento de toda a população no combate de tal prática, em todo o país. Além disso, ela ressalta a importância de os governos locais desenvolverem programas específicos para evitar esse tipo de crime.
“Outros
governos estaduais precisam fazer o que estamos fazendo aqui no
estado, fazer um plano estadual [de erradicação do
trabalho escravo]. A sociedade também precisa mostrar
indignação. O que a gente percebe é que, muitas
vezes, existe uma apatia da sociedade. Não existe uma
revolta”, disse, em entrevista exclusiva à Agência
Brasil.
Apesar
das críticas, Ana Júlia acredita que a incidência
de trabalhadores em situações análogas à
escravidão, no Brasil, é pequena quando comparada ao
número de produtores e fazendeiros. “Não é uma
situação que esteja muito difundida no Brasil”. Ela
admite, entretanto, que o Pará possui histórico
de índices elevados de emprego de mão-de-obra escrava.
A
governadora destaca a responsabilidade do Ministério do
Trabalho e Emprego de fiscalizar as condições
de trabalho no país, mas reforça a necessidade de os governo estaduais atuarem em campanhas de acesso à
documentação civil, principalmente à carteira de trabalho. Os documentos, segundo ela, são
fundamentais para que o trabalhador seja contratado legalmente.
“[O
trabalho escravo] tem uma relação com a falta de
opção desas pessoas. O governo do estado tem que
trabalhar nessa fase, de acolher essas pessoas e conseguir que elas
não mais retornem e que consigam trabalhar. Existem situações
em que os trabalhadores são encontrados mais de uma vez em
situações análogas ao trabalho escravo.”
Outra ação para evitar a ocorrência de mão-de-obra escrava no Pará, segundo Ana Júlia, é o diálogo e conscientização diretos
com os próprios empresários rurais, para que não adotem esse tipo de emprego. Capacitar profissionalmente os trabalhadores, com especialização da mão-de-obra, é mais uma proposta apresentada pela governadora no estado do Pará.
Ana Júlia
lembra que existe um projeto, de sua autoria, tramitando no Senado
Federal, que impede a concessão de
financiamento público para qualquer empresa condenada, em nível administrativo, pelo crime de trabalho
escravo. “O poder público não pode financiar aquilo o que vai gastar para combater.”
Ela
garante ainda que o Pará vai direcionar a formação
de 100 dos 1,6 mil novos policiais do estado para a área de
direitos humanos. “A polícia tem que saber agir em situações
como essa.”
|