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Brasília - Passados três
anos da criação do Pacto Contra o Trabalho Escravo no
Brasil, mais de 21 mil pessoas foram libertadas de condição
análoga à escravidão. No entanto, segundo o assessor da
Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH), José Guerra, a
luta contra o problema ainda está longe do fim. Para ele, isso acontece porque o trabalho escravo passou a ser velado com o passar dos anos.
"Se antes a
escravização se dava por meio da captura e se utilizava
o trabalhador como mercadoria, hoje há uma nova dinâmica da
escravidão, por meio da negação do direito de ir
e vir", explicou Guerra. "O empresário leva o
trabalhador de determinada zona para um lugar de difícil
acesso e oprime a liberdade dele de romper o contrato",
completou.
Além de evitar a repressão, explicou Guerra, o grande desafio do Pacto
Contra o Trabalho Escravo é oferecer condições
para que as pessoas libertadas possam voltar ao mercado.
"Pretendemos evoluir no sentido da reinserção do
trabalhador que foi resgatado, porque a questão da escravidão
por dívida está ligada à pobreza e à falta de
opção. Vamos trabalhar com o Ministério do
Desenvolvimento Social para saber como podemos incluir essas pessoas
nos projetos como o Bolsa Família e nas políticas de
inclusão".
Segundo o assessor, não há um segmento econômico específico,
responsável pela utilização da mão-de-obra
escrava, mas o setor agrícola tem
sido uma preocupação. "Conseguimos ver a
incidência do trabalho escravo nas fronteiras de exploração
agrícola, onde está crescendo nossa atuação",
enfatizou.
Com uma parceira entre governo federal,
organizações não-governamentais e a OIT, o Pacto
Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo já
conseguiu fazer com que um grupo com mais de 140 grandes empresas – do
porte do Grupo Pão de Açúcar, Wal-Mart,
Petrobras, Ipiranga, Coteminas, Amaggi, e Carrefur – firmasse acordo
para não mais manter relações comerciais com
fazendeiros notificados ou que respondam pelo crime.
Atualizada para alteração no título e no primeiro parágrafo.
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