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23 de Maio de 2008 - 17h50 - Última modificação em 23 de Maio de 2008 - 17h50


Unasul vai tratar de temas globais como a alta dos alimentos, diz Bachelet

Yara Aquino*
Repórter da Agência Brasil

 
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Antônio Cruz/ABr
Brasília - Presidentes da Bolívia, Evo Morales, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião da União de Nações Sul-Americanas (Unasul). O encontro servirá para que os representantes assinem o tratado de constituição da organização, que existe apenas informalmente
Brasília - Presidentes da Bolívia, Evo Morales, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião da União de Nações Sul-Americanas (Unasul). O encontro servirá para que os representantes assinem o tratado de constituição da organização, que existe apenas informalmente
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje (23) estar de “alma lavada” ao encerrar a entrevista coletiva em que falou sobre a criação da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) ao lado dos presidentes da Bolívia, Evo Morales, e do Chile, Michelle Bachelet.

“Estou de alma lavada. Parecia impossível há quatro anos nós três estarmos sentados numa mesma mesa comunicando que finalmente demos um passo importante em benefício dessa grande nação sul-americana”, afirmou.

Lula lembrou que o tratado de constituição da organização, assinado hoje pelos presidentes, não obriga nenhum país a abrir mão de seu estado nacional, de decisões específicas e de acordos bilaterais. “Não é isso que queremos, queremos constituir políticas de consenso que permitam conjuntamente fazermos aquilo que sozinhos não temos forças para fazer”.

A presidência pró-tempore da Unasul foi entregue por Evo Morales a Michelle Bachelet, que permanecerá à frente do recém-criado grupo pelo período de um ano. Ela destacou que um dos objetivos do grupo é fazer com que a voz dos países da região seja ouvida e levada em consideração na tomada de decisões. “A América do Sul pode ser um ator global”.

Bachelet afirmou que o grupo não irá tratar apenas de questões regionais, mas também de temas globais, como as crises alimentar e energética. Ela citou o tema energético como um dos que assumiram prioridade e falou sobre a crise de alimentos, afirmando que será um grande retrocesso se os países sul-americanos não enfrentarem unidos o tema da segurança alimentar e dos altos preços dos alimentos.

“Nas conversações entre os presidentes, surgiram diversas idéias de como aumentar a produção. Somos uma região que não tem escassez de alimentos, podemos ter escassez de alguns produtos em alguns países, mas não no conjunto”, disse.

O boliviano Evo Morales confirmou a importância da complementaridade entre os países para resolver o problema da alimentação e da energia. “Nossa região é potencial no tema na energia renovável e não-renovável”, considerou.

Otimista, o presidente brasileiro disse que mesmo sem o dinheiro de blocos econômicos como a União Européia, a Unasul dará certo em “menos tempo do que qualquer outro processo de integração”.

No início da coletiva, Bachelet chamou a atenção para a diversidade da mesa, formada por um ex-líder sindical (Lula), um ex-líder indígena (Morales) e uma mulher. Disse também que desde o começo, o presidente Lula é um “pai” da Unasul por ser um ardente defensor da integração sul-americana.


* Colaborou Mylena Fiori
 


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