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Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr
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Brasília - Maria Auxiliadora do Nascimento Neto e Dusanjas Sousa Neto levaram os filhos para assitir aos filmes da Mostra Brasil Candango. O projeto leva o cinema a cidades onde não há salas de exibição
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Brasília - Até começar a sessão, eram apenas cadeiras vazias e
meia dúzia de pessoas em frente à tela branca. Mas, assim que a imaginação aflorou com a projeção no vídeo, olhares vibrantes e atentos encheram a sala de cinema improvisada na Estrutural, uma das regiões
mais carentes do Distrito Federal, cerca de 12 quilômetros de Brasília.
A poeira e a falta de infra-estrutura deram lugar a um palco de fantasias com a exibição dos filmes brasileiros A Enciclopédia do
Instituto e O Casamento de Louise. As obras de esgoto, asfalto, e as primeiras escolas começaram este ano, depois de uma década da criação da cidade, onde moram atualmente cerca de 35 mil pessoas.
Cerca de 150 moradores da Estrutural enfrentaram o frio de maio e deixaram as casa de madeirite, na maioria, para assistir às produções nacionais na noite de ontem (24). A
Mostra Brasil Candango – Cinema Itinerante é um projeto do Instituto Latinoamerica, que está na terceira edição, e conta com o patrocínio da
Petrobrás e o apoio do Ministério da Cultura.
A idéia é realizar 67 exibições em 22 cidades do Distrito
Federal e de Goiás. O foco são as comunidades carentes que não têm acesso a atividades culturais. Segundo o coordenador da mostra e presidente do Instituto
Latinoamerica, Atanagildo Brandolt, o projeto quer levar produções cinematográficas a comunidades onde não existem salas de exibição.
“O objetivo é permitir que as pessoas mais afastadas
possam tenham acesso ao cinema nacional que, quando passa na televisão, passa de
madrugada. Ele [projeto] permite também que os cineastas possam mostrar seu trabalho”, argumentou.
Segundo Brandolt, este ano, há seis curta-metragens de
cineastas brasilienses em exibição na mostra. O coordenador explica que o
projeto exibe filmes reflexivos, que levem o público a repensar alguns valores sociais e que permitam uma identificação dos
espectadores com a obra.
Maria Auxiliadora do Nascimento Melo é empregada doméstica e
mora na Estrutural. Ela assistiu às duas sessões da mostra. “O filme
de anteontem [sexta-feira (23)] foi sobre os sem-terra. Foi igual ao começo da nossa vida aqui da
Estrutural”, relembrou. A cidade existe há cerca de 13 anos e começou como vila em torno de um lixões de Brasília.
Para incluir os filmes no projeto, Atanagildo Brandolt explica que é preciso pagar uma taxa para as produtoras e distribuidoras. O preço da
exibição de um média-metragem durante 60 dias é R$ 700. Um longa-metragem custa
R$ 2 mil para ser exibido durante o mesmo período.
Mas além dos filmes, o Cinema Itinerante vai realizar oficinas de
audiovisual no próximo mês. Atanagildo Brandolt conta que as atividades serão desenvolvidas
com alunos de escolas públicas da Candangolândia, do Paranoá, ambas no Distrito
Federal, e de Alexânia, em Goiás. Estão previstas oficinas também em São
Sebastião e em Valparaíso, município goiano limítrofe ao DF.
Segundo o coordenador, o papel das oficinas é desmistificar o processo de produção audiovisual da TV. “É propiciar que as pessoas organizem as idéias, a pesquisa, a
elaboração de roteiro e edição de imagem”, explicou.
Brandolt adianta que o Instituto Latinoamerica pretende
fazer um documentário sobre essas oficinas e exibi-lo nas próximas mostras, além de
oferecê-lo às TVs públicas.
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