|
Rio de Janeiro - A população
cigana tem o direito de ser atendida em postos de saúde e
hospitais da rede pública, mesmo sem apresentar identidade ou
comprovante de endereço. A determinação consta
da Campanha contra a Discriminação do Povo Cigano nos
Serviços de Saúde, lançada ontem (24) pelo
Ministério da Saúde no Rio de Janeiro.
O atendimento sem a
apresentação do registro civil era a principal
reivindicação da população cigana, que
reclamava do preconceito na rede pública de saúde aos
órgão do governo federal, há três anos. Os
ciganos argumentam que por serem nômades, vivendo em
acampamentos, muitos não têm esses documentos.
"As medidas eram
mais do que necessárias. Ainda somos uma população
invisível em termos de saúde. Não temos um
levantamento sobre as doenças mais comuns e um censo
específico. Queremos que nos reconheçam como uma
minoria", disse a presidente da Fundação Santa
Sara Kali, Mírian Stanescom.
A campanha do
ministério prevê também atendimento de acordo com
as tradições ciganas, o que implica ampliação
de ginecologistas mulheres nas unidades de saúde, evitando
constrangimentos nas comunidades, e também de grupos móveis
de médicos para consultas nos acampamentos.
A diretora do
Departamento de Gestão Participativa do ministério, Ana
Costa, reconhece que a aplicação das medidas por
estados e municípios será um desafio. "Claro que
isso não se faz com um ato simples. Exigirá difusão
da proposta, comprometimento dos profissionais e de pressão
política por parte do ciganos."
Ela acrescenta que o
ministério editará uma portaria com essas determinações
nos próximos dias. Além disso, distribuirá
cartilhas informativas sobre as mudanças nas cidades de
Trindade, Goiás, Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, Campinas,
São Paulo, e Souza, Paraíba – locais com a maior
concentração de ciganos no país.
Durante o lançamento
das medidas na área de saúde, que marcou no Rio as
comemorações do Dia de Santa Sara Kali, padroeira dos
ciganos, a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência
da República divulgou também a cartilha Povo Cigano
– o Direito em suas Mãos.
O documento propõe,
entre outras coisas, a inviolabilidade dos acampamentos ciganos, para
impedir a invasão por policiais, e o direito de as mulheres
usarem trajes típicos em qualquer estabelecimento.
|