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Brasília - O presidente Luiz
Inácio Lula da Silva disse hoje (26) que a criação
da União Sul-americana de Nações (Unasul) muda a
geopolítica da América do Sul, tornando os
países-membros “mais fortes e mais soberanos”. Para Lula,
o feito representa a realização de um sonho.
“Parecia uma coisa
impossível porque aqui, na América do Sul, fomos
doutrinados para acreditar que não daríamos certo em
nada, que somos pobres, que brigamos muito e que temos que depender
dos Estados Unidos e da União Européia”, afirmou.
Chefes de Estado
sul-americanos se reuniram na última sexta-feira (23), em
Brasília, para uma reunião de cúpula
extraordinária da Unasul. O marco legal já havia sido
estabelecido pela diplomacia dos países envolvidos e os
últimos detalhes foram definidos em maio.
Em seu programa de
rádio semanal Café com o Presidente,
Lula ressaltou que o tratado que cria a Unasul vai facilitar
negociações com outros blocos, além de
possibilitar a construção de ferrovias,
rodovias, pontes e linhas de transmissão. “Acho que foi a
realização de um sonho. Mas ainda vamos ter que
trabalhar muito para consolidar as coisas práticas.”
Diante do ceticismo por
parte de alguns países sul-americanos e da possibilidade de
que a Unasul fique apenas no papel, Lula se mostrou otimista e
reforçou que a América do Sul apresenta um quadro de
“evolução extraordinária”. Para ele, é
preciso que o Brasil invista em países como Paraguai, Uruguai
e Bolívia – nações consideradas
“economicamente mais frágeis”.
“Temos obrigação
de ajudá-los porque, quanto mais forte economicamente forem os
países da América do Sul, mais tranquilidade, paz,
democracia, comércio, empresas, empregos, renda e
desenvolvimento.”
Lula reconheceu que "na verdade muita coisa ainda não se concretizou" e lembrou que outra iniciativas estão em andamento, como o Banco da América do Sul. "Vamos caminhar para, no futuro, termos um Banco Central único e moeda única. Isso é um processo, não é uma coisa rápida".
Já em relação
à proposta brasileira de criação de um Conselho
Nacional de Defesa Sul-americano – que acabou derrubada durante a
reunião de chefes de Estado – Lula acredita que, caso o
Brasil possa “elaborar melhor a proposta e tirar algumas
convergências” nos próximos 90 dias, a idéia
poderá ser aprovada.
“A
verdade é que, dos doze países, apenas a Colômbia
colocou objeção. Depois, conversei com o presidente
Uribe [da Colômbia]. Vamos voltar a conversar. Estou
viajando à Colômbia no dia 20 de julho. E acho que as
coisas vão se acertar.”
A proposta será
analisada nos próximos 90 dias por um grupo de trabalho da Unasul. A
iniciativa foi anunciada pela presidente do Chile, Michelle Bachelet,
na última sexta-feira, em coletiva no Palácio do
Itamaraty.
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