



|
Brasília - Ao dar posse hoje (27) ao novo ministro do Meio Ambiente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que desenvolver o país não significa destruir o meio ambiente e nem que as florestas devem ser encaradas como santuários.
“Sempre haverá aqueles que acham que desenvolver o país é degradar e destruir algumas coisas que temos a qualquer custo. Mas também não pode ser verdade que não se possa fazer nada, como também alguns defendem, e tentando transformar determinadas áreas do Brasil em santuários da humanidade”, disse Lula no Palácio do Planalto.
O presidente rebateu que a escolha de Carlos Minc para o comando do Meio Ambiente represente o abandono das ações de preservação da Amazônia. “Nem o Minc é um cortador da Amazônia e nem a Marina deixou de levar a sério todas as possibilidades de apresentar o desenvolvimento para aquela região e de permitir, inclusive, que a indústria madeireira pudesse sobreviver fazendo as coisas corretas como têm que ser feitas”, ressaltou.
“Para provar que não é contra a Amazônia veio de verde e veio com uma tarja preta dizendo: ‘É proibido desmatar a Amazônia Legal’”, brincou, referindo- se ao colete verde e a gravata preta usados pelo novo ministro.
De acordo com Lula, a política ambiental do governo é única e é a que “está no programa que me fez ganhar as eleições em 2002 e 2006 e tem que ser cumprida”. Conforme o presidente, a legislação ambiental será obedecida e “nem o ministro do Meio Ambiente pode tentar desrespeitá-la”.
“Ser quisermos fazer algo diferente do que está na lei, temos que mudar a lei e não passar por cima dela”, disse.
O discurso do presidente Lula na posse de Minc foi marcado por elogios e agradecimentos a antecessora Marina Silva. O presidente negou que Marina saiu do governo por conta de divergências entre eles.
“A nossa amizade é inabalável. Não existe nada que possa dizer o Lula está magoado com a Marina. E não ficarei contrariado se o contrário não é verdadeiro”, afirmou. Em sua carta de demissão, do último dia 13, Marina sinalizou que estaria sem apoio dentro do governo.
Em vários momentos, Lula criticou a imprensa brasileira, que segundo ele, não noticiou o trabalho de Marina Silva à frente do ministério. “Eu vi pouquíssimas colunas falando bem da Marina”, disse. “A ministra Marina sabe o tanto que ela apanhou. Muitas vezes as coisas para saírem no Brasil precisa dar primeiro no New York Times”.
Ao falar da ex-ministra, o presidente chegou a compará-la ao ex-jogador de futebol Pelé. “Você [Carlos Minc] está entrando no lugar do Pelé. É importante lembrar que o Pelé não era insubstituível”, brincou. Marina comentou, em entrevista a jornalistas, a brincadeira feita pelo presidente durante o discurso. “A metáfora foi correta. O Pelé escolheu a hora de sair exatamente para que o time continuasse ganhando”, disse Marina Silva, que voltará a ocupar sua cadeira no Senado.
Lula agradeceu também o secretário-executivo do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, que assumiu o ministério interinamente após a saída de Marina Silva.
* Colaborou Mylena Fiori
|
|