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Brasília - O sistema
de ensino não pode reproduzir na Educação de
Jovens e Adultos (EJA) a pedagogia utilizada na formação
regular de crianças e jovens, sob o risco de tornar infantil
os estudantes e elevar as taxas de evasão escolar.
A avaliação é do secretário de Educação
Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad) do
Ministério da Educação (MEC), André
Lázaro.
“A
tendência dos sistemas de ensino é fazer uma mera
reprodução daquilo que é o ambiente da educação
regular de crianças e jovens e, com isso, acabamos infantilizando um pouco os nossos jovens e adultos e fazendo com que
haja uma taxa de evasão muito elevada”, afirmou.
Além
da ausência de experiências pedagógicas
específicas para a EJA, a falta de formação
direcionada para os profissionais da área estão entre
os gargalos da educação de jovens no Brasil, segundo
Lázaro. Os desafios e dificuldades da área serão
debatidos até amanhã (30) em um encontro nacional de
educadores.
Cerca de
300 delegados estaduais, representantes do governo e especialistas definirão as
diretrizes da participação brasileira e as propostas
que o país levará à a 6ª Conferência
Internacional de Educação de Adultos (Confintea),
coordenada pela Organização das Nações
Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura
(Unesco), que o Brasil sediará em maio de 2009.
“Temos
uma experiência de educação popular não-formal
maravilhosa, o ícone dessa educação é o
Paulo Freire, mas temos o desafio grande de fazer com que os sistemas
de ensino tenham condição de oferecer uma educação
adequada à expectativa de jovens e adultos”, disse o
secretário.
A
falta de articulação entre iniciativas de inserção educacional é outro entrave da EJA. Dados do
programa Brasil Alfabetizado indicam que apenas 6,2% dos
alfabetizados do programa, em 2006, se matricularam em EJA para
prosseguir os estudos. Lázaro reconheceu a
desarticulação, mas afirmou que a responsabilidade de
garantir a continuidade do avanço educacional de adultos que
ingressaram tardiamente no sistema de ensino deve ser compartilhada
entre gestores federais, estaduais e municipais.
“O MEC
financia o Brasil Alfabetizado e o Fundeb [Fundo de Manutenção
e Desenvolvimento da Educação Básica]
financia a EJA. Qualquer município brasileiro pode participar
do Brasil Alfabetizado e, em seguida, inscrever os alunos na turma de
EJA; é uma possibilidade concreta, não depende de nada
a não ser a iniciativa do próprio município”,
argumentou Lázaro.
De acordo
com o secretário, o MEC “tem limites de ação”,
porque a gestão educacional é compartilhada, mas “os
fatores indutivos que favorecem a continuidade dos estudos estão
dados”. Este ano, o Fundeb deve destinar R$ 2,8 bilhões
para a educação de jovens e adultos.
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