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Brasília - Quase metade (45% ou 77 milhões) dos 172,7 milhões
de brasileiros abrangidos pela pesquisa Retratos da Leitura no Brasil não leram
nenhum livro nos últimos três meses. Desse público,
47% são mulheres e 53%, homens.
O estudo, feito pelo Instituto Pró-Livro e Ibope Inteligência, considerou como universo a população na faixa etária a partir dos cinco anos. A pesquisa foi feita por amostragem, com base em 5,2 mil entrevistas em 311 municípios brasileiros dos 27 estados, no período de 29 de novembro a 14 de dezembro de 2007.
Apesar do alto índice, o secretário de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), André Lázaro,
avalia como positivo o resultado da pesquisa. “O copo está
razoavelmente cheio, mas a nossa sede é muito maior. A
fotografia hoje diz que estamos em um bom caminho, mas essas
informações nos estimulam a trabalhar mais”, acredita Lázaro.
O relatório
aponta que os classificados como não-leitores estão
na base da pirâmide social: 28% deles não são
alfabetizados e 35% estudaram só até a 4ª série
do ensino fundamental. Metade do grupo pertence à classe D e a
maioria tem renda familiar de um a dois salários-mínimos.
A pesquisa indica ainda que os livros religiosos são os que
mais atraem esse público: 4,5 milhões disseram ler a
Bíblia.
Entre os motivos para não ler, a falta de tempo aparece como o mais apontado, com 29%. Outros 28% não lêem porque não são
alfabetizados e 27% porque não gostam ou não têm
interesse. Entre as limitações, 16% afirmaram que possuem
um ritmo lento de leitura e outros 7% disseram não compreender
a maior parte do que lêem. O relatório ressalta que a leitura aparece em quinto lugar entre as atividades preferidas dos entrevistados, ficando atrás de ver televisão, ouvir música, ouvir rádio e descansar.
As Regiões Norte
e Nordeste, que apresentam os menores Índices de
Desenvolvimento Humano (IDH) do país, também
registraram as menores médias de leitura por habitante/ano: 3,9 e
4,2 respectivamente. A média nacional é de 4,7 livros ano/habitante.
Para o presidente do Instituto Pró-livro,
Jorge Yunes, o baixo resultado está vinculado aos níveis
de escolaridade nessas regiões.
“O incentivo [à leitura] nas
escolas é muito importante, o governo tem que trabalhar para
que esse índice seja igual no Brasil inteiro. Se a
escolaridade aumentar, com certeza a leitura aumenta também”,
apontou Yunes.
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