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Rio de Janeiro - Na próxima semana, o Consórcio
Madeira Energia (formado por Furnas e pelo Grupo Odebrecht) decide se
vai à Justiça pedir anulação da
concorrência para a construção da Usina de Jirau
– no Rio Madeira – vencida pelo consórcio formado pelas
empresas Suez Energy, Camargo Corrêa e pelas estatais Eletrosul
e Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf).
A possibilidade do pedido decorre do fato de o
consórcio vencedor ter anunciado a intenção de
desenvolver o projeto cerca de 9 quilômetros abaixo do previsto
na licença prévia já concedida pelo Instituto
Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
(Ibama).
Em entrevista concedida após palestra no
20o Fórum Nacional de Altos Estudos, na sede do
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o
presidente do Conselho de Administração do Grupo
Odebrecht, Emílio Odebrecht, afirmou que a decisão de
alterar o projeto inicial significa alterar a regra do edital.
"Diante do que já temos, há
consciência de que houve alteração das regras do
edital. Como é algo de muita responsabilidade, prefiro ter
todos os dados na mão para que a gente possa se pronunciar",
disse o executivo.
Segundo Odebrecht, os estudos para a construção
de Jirau e Santo Antônio foram feitos há muito tempo e
avaliam o potencial de todo o Rio Madeira. Esses estudos
concluíram que os melhores locais para construir as
usinas de Santo Antônio, Jirau e outros empreendimentos estavam
definidos, do ponto de vista econômico e ambiental, e por isto
foram aprovado pelos órgãos competentes.
"Se houver interferência [em Santo
Antônio, em decorrência das alterações em
Jirau], com certeza nós vamos à Justiça. Mas
ainda não há dados para concluir se realmente interfere
em Santo Antônio. Estamos sentindo que tem algo. E como tem
algo, quero me manifestar de forma muito responsável".
Para ele, é preciso analisar todos os dados
dos planos do Consórcio Energia Sustentável (que tem o
grupo Suez Energy como um dos integrantes) para a construção
da usina de Jirau, antes de tomar uma decisão sobre o caso.
"O que nós brasileiros não
podemos é aceitar quebra de regras - a quebra do estado de
direito - porque aí, todo o trabalho que se construiu no país
pode ir por água abaixo”. Odebrecht disse que na próxima
semana terá todos os dados para posicionar-se de forma
definitiva.
O consórcio Energia Sustentável do
Brasil, formado pelas empresas Suez Energy, Camargo Corrêa e
pelas estatais Eletrosul e Chesf, venceu o leilão realizado no último
dia 19 pela Agência Nacional de Energia Elétrica
(Aneel), ao oferecer deságio de 21,6% no preço estipulado pelo megawatt/hora de R$ 91.
A previsão inicial é de que a Usina
de Jirau, com capacidade instalada de 3.300 megawatts comece a gerar
energia a partir de 2013. O custo do empreendimento foi estimado em
R$ 8,7 bilhões.
Tão logo ganhou a licitação,
o Energia Sustentável anunciou a disposição de
mudar o local da Usina, o que vem suscitando duvidas no setor sobre a
possibilidade de ter havido quebra de contrato.
O consórcio já teria informado à
Aneel que só construirá a usina de Jirau se as mudanças
forem aprovadas – por não ter condições de
construir a unidade ao preço ofertado no local inicialmente
previsto. A mudança resultaria em uma economia de R$ 1 bilhão.
A obra integra o Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC).
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